GILBERTO FREYRE, O SOCIÓLOGO
Luiz Felipe Baeta Neves
- Eu queria, antes de qualquer coisa, agradecer o convite da Fundação Joaquim Nabuco, e especialmente, a gentileza de Fernando Freyre e também desse amigo exemplar e grande antropólogo brasileiro que é Roberto Motta. E também à paciência que eu espero que Joaquim de Arruda Falcão Neto tenha comigo, para ler, e comentar meu trabalho de hoje. E também a paciência das pessoas que vão me ouvir, hoje. Eu espero que tenhamos uma sessão de trabalho, uma sessão acadêmica de trabalho, que é o signo do meu trabalho. O meu trabalho é um esforço acadêmico de apropriação, de uma determinada maneira, da obra de Gilberto Freyre. De uma determinada obra, de uma determinada maneira. Então, é esse esforço acadêmico que eu gostaria que nós tivéssemos hoje, em conjunto. Quer dizer, o meu trabalho, o trabalho que eu vou expor hoje, é simplesmente, na minha cabeça, um início de um diálogo, de um debate, crítico, acadêmico, teórico, científico, sobre o trabalho de Gilberto Freyre.
Falar de um Gilberto Freyre único não é uma atitude gilbertiana. Se assim tentássemos, não estaríamos fazendo mais do que supor e reiterar aquilo que tantas filosofias e ideologias não deixam de nos repetir: o autor é um só - e ele é a sua obra. Se isto aceitássemos, a tarefa estaria facilitada. Bastaria descobrir os "verdadeiros" sulcos do psiquismo individual, e encontraríamos uma unidade. Bastaria ter a melhor interpretação de uma produção intelectual, e teríamos a "verdadeira" obra. Um autor, uma Obra.
Gostaríamos de propor uma torsão - não uma "versão" desta falácia com que nos habituamos a dourar nosso narcisismo. Assim, prefiro acreditar que um autor não seja alguém assemelhado a um pequeno deus humano, um demiurgo que por suas singulares características nos revelaria verdades. E que faria com que seus críticos descobrissem qual a verdade de sua verdade - e assim indefinidamente, em um jogo que é de espelhos e finge ser de erudição ou de inteligência. Não, não pretendo ver o "verdadeiro" Gilberto Freyre porque não creio que ele possa ser fertilmente analisado por qualquer hermenêutica que maniacamente procurasse suas relações com essências - e que o expulsaria da história. História que não acredita na existência de homens que escapem de sua humanidade irremediável para procurar se assemelhar a Deus. A este mesmo Deus a quem se deu o nome de Criador e que aqueles que defendem a mitologia da autoria tornam a repetir o nome - Criador - para os que, pela sublimidade especialíssima de sua pena, alcançariam o dom divino da gênese. Mas eu prefiro a gênese que estabelece as condições de possibilidade histórica - terrena e social - que procurará ver não a criação e sim na produção intelectual seus modos de surgimento.
Por que homenagear ainda o estreito empiricismo daqueles que confundem sujeito empírico e sujeito de conhecimento? Ou aqueles que matraqueiam filosofias do sujeito. Ou os que - de modos tão teologais - fundem criatura e Criador?
A estas fusões, confusas e totalizantes, pode-se opor que as produções teóricas se discutem teoricamente, independente da cor das meias daqueles que assinam livros ou que proferem conferências. E aos esquecidos se poderia lembrar que a produção do saber sobre o social se dá dentro da história do saber - e da sociedade que ele integra. É deste lugar que ele fala; é em uma determinada intersecção do jogo do poder e do saber que ele se situa. Fala de dentro de um campo de conhecimento; não cria este conhecimento por nenhuma espécie de intuição metafísica ou ato de vontade ou arrebatamento mágico. E este produto teórico voltará a essa sociedade exercendo eficácias que não serão apenas da ordem da elevação espiritual; esta seria uma ótica beletrista que imagina os resultados do trabalho intelectual como frutos de uma árvore sagrada que cairiam em terrenos imaculados. Não, o trabalho intelectual será tão mais fertilizador da terra em que cair quanto mais indigestos forem seus frutos para os donos do poder - e do saber já-sabido.
Contra as epifanias das continuidades e das totalizações se volta uma aliança de posições conquistadas - mas eternamente fustigadas e combatidas - por certa Antropologia e por certa Psicanálise. Que, lúcidas, questionam as homogeneidades, as lisas esferas, as platitudes, o horror às diferenças, às multiplicidades e aos conflitos. Que, atentas, desconfiam da atribuição de poderes exorbitantes ao homem - a uma determinada idealização do conceito de indivíduo - como se ele pudesse gerá-los e suportá-los.
Não, a idéia de obra não pode significar um recorte monolítico imposto por uma ideologia do sujeito. A obra não é uma verdade roliça porque seus momentos de produção - suas formas específicas de eficácia teórica e política - terão que ser analisados no contexto múltiplo de tramas diferenciais que são as diversas formas pelas quais a teoria do social vem podendo ser constituída. Ou seja, os produtos teóricos se apropriam entre si de forma histórica e independente da vontade de seu autor. Neste sentido, todo trabalho intelectual perde seu autor desde que nasce, desde sempre, porque seu trabalho voltará de modo mais ou menos significativo e singular para campos de luta incontroláveis, abrangentes, alheios, muitas vezes posteriores e quase sempre anônimos.
A grandeza do trabalhador intelectual não é mensurável quer por sua grandeza pessoal quer por uma simbiose possessiva entre vida-e-obra. Mede-se pela eficácia diferencial que terá em campos de saber e em estruturas de poder aquilo que assinou. Não se fala aqui, pois, em recortes unitários, mas, sim, em sua explosão mesma, magnificamente incontrolável em seu poder de salutar destruição de paz falsa, de senso comum, dos saberes entronizados, dos grandes e sólidos edifícios teóricos em que as metafísicas tentam nos seduzir acenando com as glórias da inscrição na Eternidade. E com o nosso próprio nome próprio.
E que não se acuse nossa desconfiança ao estatuto teórico, que se quer privilegiado, da noção de autoria e de obra como desconfiança advinda dessa irmã sempre renegada por nós, cientistas sociais, que é a Epistemologia. Na história do Ocidente, a vinculação entre autor e proprietário-soberano-e-exclusivo daquilo que produziu não existiu desde sempre - e para tanto basta que nos lembremos que era corrente entre os que a tradição designa como os textos fundadores de nossa literatura culta - era corrente, repito, a utilização de múltiplos autores, era comum a manipulação de sagas, poemas, expressões, palavras vindas do anonimato e da riqueza imemorial das tradições populares. E é o que é importante para nós, neste ponto: sem a necessidade de "citar", de "abrir aspas", de atribuir o capital da propriedade e da posse do discurso àquele que, em um dado momento, o articula. Sem constituir, portanto, este assombroso panteão de iluminados em que tantos gostariam de ver transformada esta coisa quase sempre humilde, obscura, rasteira, quotidiana e contraditória, anônima e populosíssima, imensa como a linguagem que são as formas sociais de construção do saber.
Contra qualquer divinização da cultura, contra toda a tentativa de erigir uma história de saber que seria a sucessão - ascensional e evolutiva - de individualidades privilegiadas gostaria de propor algo que já sabemos mas que com grande facilidade esquecemos: as virtualidades, as possibilidades, as vicissitudes dos livros e de qualquer trabalho intelectual não se esgotam, de modo algum, nas exigências, nas exíguas fronteiras da vida humana - ambiciosas ou não - de seu autor.
E, com isto, voltando e sempre estando neste Seminário, o que quero dizer é que seria de grande crueldade para comigo - e, creio, para com Gilberto Freyre, - fazer coincidir sua obra com a materialidade mesma de seus mil escritos. Isto - tal confusão - se limitaria a ser uma prisão aparentemente dignificante, doce e amena. Não, a obra de Gilberto Freyre é um universo em expansão que - como hoje, entre nós - repercute e repercutirá indomável entre os anônimos leitores e construtores do saber anônimo. Amanhã e, creio, por muito e muito. Reverência, não a farão os que querem imaginá-la finita e presa a si mesma para afagá-la e reverenciá-la. Não estarão prestando qualquer preito significativo: dizem apenas que são os guardiães de uma prisão. Não; o universo gilbertiano - o universo dos grandes transgressores - não é o do estabelecimento de fronteiras, mas o do suscitar de rompimentos; o dos nascimentos de novas línguas; da instauração do balbuciar de linguagens adversas e rebeldes; do limiar de cortes, de ruturas e de ilegitimidades, ilegitimidades tão legítimas no coração da matéria do saber. Não há livros sagrados, nem enunciações definitivas. Sejamos, pois, nós leitores, humildes e proclamemos a liberdade da invenção de outros leitores - insuspeitados, inimagináveis - da tarefa cumprida de nossos pares maiores. Chega de acreditar que somos capazes de dizer quem, onde e como se lerá Gilberto Freyre. E sigamos - aqui sim - a imensa lição gilbertiana ao nos ensinar como transgredir a tradição da teoria social brasileira - como ele o fez - e a transgredir a pletórica tradição dos grandes centros exteriores de conhecimentos - como ele o fez. Esta é a sua maior lição - substantivamente formal; posição de leitura radicalmente irreverente. Respeitosa não porque Gilberto tenha repetido qualquer de seus mestres mas porque, gentil, os elaborou, experimentando-os.
O que quero - hoje, aqui - é propor que a análise do meu discurso gilbertiano seja signo de uma proposição libertadora, séria sem ser sisuda, de toda enunciação. Todos os enunciados ideológicos não são todas as apropriações ideológicas. Ao contrário; as enunciações ideológicas são em número muito pequeno mas as formas de apropriação social destes enunciados são praticamente infinitas. Então, não adianta - nem epistemologicamente, nem afetivamente - tentar enjaular os enunciados na materialidade empírica de sua forma de apresentação material ao consumo. Não, o produto freyriano é não só a sua materialidade enganosamente explícita, mas sua pateticamente úbere virtualidade. Não vou apresentar o meu Gilberto Freyre; vou apresentar um possível freyriano. Minha leitura é parcial - e assumo: parcial, em todos os sentidos da palavra. O que vou dizer é fragmentário, possível, venenoso, político, culto e estranho. Um tiro no escuro do futuro, com um dos estopins dissolutores, demolidores, e sagazmente belos e camuflados da grande proposta que quero partir de Gilberto Freyre.
Exibo, então, minha apropriação. Uma apropriação, não melhor ou pior; exposta à crítica e que a convida, como a um par inseparável, para o nascimento de um novo efetivamente novo, diferente do passado sem infantilmente renegar tal passado. Mas, infantilmente, quer quebrar, brincar, provocar, irritar, jogar qualquer jogo da verdade - e da imaginação - com os que pretendem domesticar, encarcerar, manietar a obra de quem quer que seja como pai patrão, como pai castrador. E, pior, pai que encenaria a desagradável e mofina opera buffa de se dizer crítico; o crítico é o chaveiro do futuro e não o carcereiro do já-feito, do passado e da morte.
Assumo, ainda uma vez, minha parcialidade. Não vou interpretar todo o trabalho de Gilberto Freyre. Não; vou me limitar a Casa-Grande & Senzala. Não, Casa-Grande & Senzala não é nenhuma unidade ou infra ou sub-unidade menor. Não; já disse que não acredito nisso, nem estava construindo álibis. Minha leitura de Casa-Grande não pode ser - e não quer ser - expressão total de uma totalidade; quer ser uma mínima cobra voraz e sensual que fecunde fímbrias férteis e apetitosas.
A primeira observação seja sobre a constituição das temáticas da obra de Gilberto Freyre. Eu agora vou falar substantivamente. Eu até aqui estava tentanto falar epistemologicamente, a respeito da obra de Gilberto Freyre, sobre a minha posição epistemológica sobre a obra dele.
A primeira observação seja sobre a constituição das temáticas. Temáticas nada "nobres" ou excelsas, mas a comida, a casa, os cheiros, as relações quotidianas, o clima, o sexo, o psiquismo e suas cavernas. As massas, o anonimato. (O que a "nouvelle histoire" francesa hoje, reafirma com seus temas atuais, como lúcida continuação da escola dos Annales). Que essas temáticas sejam não a confirmação evolucionista de um eterno crescimento ascendente do saber histórico ou antropológico, mas armas presentes, conjunturais, batalhadoras. E, assim, que lutem o combate contra as catedrais plenas de aparência e ocas de sentido; contra as reiterações classistas e elitistas dos objetos nobres e distantes; contra o oficialismo, o legalismo dos tabeliões da ciência social oficial; contra as minúcias dos mentirosos diários álgidos e resgatadores da consciência dos prepotentes; contra os catecismos das letras metafísicas; contra os perfumes que fingem não se misturar a primos ilegítimos; contra a epidérmica capa do verniz das regras de etiqueta; contra o ascetismo dos que não são mais que promíscuos.
Casa-Grande & Senzala, e não Casa-Grande ou Senzala. Portanto, um Brasil compósito, relacional, diferencial, conflitante em seus jogos de interesse, recalcador e integrador. Feixe de paradoxos, de genealogias múltiplas - nobres ou não - que se amalgamam, abastardam, enriquecem - mas que podem ser vistas em sua alteridade, em sua dispersão. E em sua reunião pelo conflito e o desequilíbrio, porque este é o signo da vida que rejeita a paz do morto.
A cena gilbertiana é adversa à história dos atores isolados, das falas monologais, dos senhores ou dos escravos, dos sincretismos de pais incertos e de corpo desossado. Cena gilbertiana que vejo como espaço da relativação - agora por tantos prezada - e infensa, relativização infensa às imposições dos que sempre e por toda parte descobrem determinismos, autoritários e redutores; infensa aos que odeiam a comparação, o contraste, a variedade de faces (nunca apenas uma, nunca somente duas) das moedas; infensa às durações eternas e amiga da conjuntura, da vicissitude, da surpresa, da descontinuidade e da fissura. Do baralho de certas da nobreza e dos pobres números, porque assim - diferentes - são distinguíveis e constituíveis pela razão.
Cena que destrói a realidade do contato, do contágio, das relações não canonicamente previstas mas historicamente vividas, da mistura de poderes em que aqueles que mais os possuem vergam - literalmente vergam - a poderes inusitados pela ética proclamada, mas realíssimos em suas senzalas/cortes pobres/suntuários.
Por uma leitura de Casa-Grande & Senzala como uma história da realidade; da realidade do Brasil; brasileira porque de origem múltipla estrangeira, de resultados peculiares, temporais e conjunturais. Não porque a realidade se confunda com o livro - como os positivistas e os historicistas de toda origem gostariam que acontecesse. Não, Casa-Grande & Senzala não é nenhuma revivescência; ela não quer reanimar fantasticamente o passado para perpetuar-lhe uma vida morta; ela não aceita as teorias do vivido para tentar resgatar seu sangue. Não, Casa-Grande é um objeto teórico que não se confunde com nenhuma esperiência passada; desta, mantém a distância de natureza, grau, linguagem, que toda construção intelectual tem das outras formas de organização do mundo.
História real, pois, como antídoto aos imensos e lerdos volumes das notariais histórias das letras das leis jurídicas; das histórias gramatiqueiras e bacharelescas; das histórias das galas e dos ouropéis; das histórias das epidermes dos fenômenos, da clareza e translucidez enganosa do verniz; histórias das verdades sempre redutíveis às normas dos códigos que ajudam a perpetuar.
Historia real, sim, inimiga das histórias normativas. Portanto, história real amiga da liberdade como exercício do respeito ao inabarcável continente humano. Amiga da liberação, porque inimiga dos que pretendem reduzi-la a seus exercícios filosofantes de aplicações de "categorias" à "realidade". Amiga de si mesma, porque respeitadora de sua especificidade indissolúvel a qualquer empiricismo imperial.
História que é linguagem rebelde, seiva e fruto da imaginação antropológica.
Ciência da história freyriana, ciência prazerosa da história. Que se tome como exemplar esta lição de construção da escrita teórica. O meu Casa-Grande de hoje, aqui, é um ensaio. Ensaio como forma rebelde e não-canônica do conhecimento. Ensaio não como figura mal desenhada da ciência; ensaio como azougue dos cientificismos - e como modo de expressão livre e corajosa de verdades que os grandes elefantes míopes teorizantes ainda não viram, ou tergiversam, ou ruminam, paquidermes, a digestão. Ensaio porque ensinou como não desprezar o prazer da escrita; porque gozou a castiça língua portuguesa dos castos e convidou a que gozássemos com a nossa própria língua. Brasileira, doce, ferina, amante da volúpia.
Rejeito a idéia de que o estilo gilbertiano seja algo externo à sua obra. Mas será que não entenderão - estes que assim falam - que não existe forma ou conteúdo? Não, o estilo de Freyre é a sua obra e dela razão necessária, constituinte. Rejeito a idéia de que as idéias sejam separáveis de sua forma concreta e material de emancipação na linguagem, no estilo.
Que se use o ensaio de modo politicamente lúcido, como inimigo das burocracias do saber, das linguagens teóricas que jamais se rompem; como ariete demolidor dos muros dos isolamentos. Como guerrilheiro, andarilho, romântico e fatal adversário dos bons passos, das andaduras pré-determinadas, das marchas marciais dos poderosíssimos exércitos do Senso-Comum, dos Cientificismos e da Metafísica.
Ensaio que não teme o erro, que restitui o prazer da leitura, que expulsa os censores e os patrulheiros ideológicos e morais de toda ordem, que inventa métodos e técnicas que irrita os reacionários embuçados de libertadores.
Uma história do desejo. Gilberto que atinge sua vitalidade máxima ao mostrar - segundo a ética e a ótica que proponho - que as classes dominantes não estão infensas ao desejo. Denuncia: elas, as classes dominantes, têm desejo. Eu estou usando este termo no sentido freudiano, corrente. Elas têm desejo e o seu desejo é passível de ser conhecido pelo saber. Seu desejo é histórico; as classes dominantes não estão isentas do tempo e da carne. E elas podem se reproduzir - biologica/socialmente - mas podem pecar e podem amar, sofrer, sorrir e morrer. A dominação pode morrer. Elas - tais classes dominantes - não são representantes da pureza divina na terra e, portanto, vencem, matam, torturam, pactuam, adoçam, machucam e salgam. Estão, enfim, no reino da história, no reino da humanidade. Não são eternas.
Desconheço qualquer posição sequer longinquamente próxima do caráter espetacularmente devastador e revolucionário deste Casa-Grande.
Os reacionários que fucem reacionarismos; os de alma policialesca que investiguem alianças demoníacas; os revolucionários burgueses que dêem versões a interpretações "de esquerda" e tentem com tanta paixão "encaixar" coisas que não compreendem mas - liberais - toleram; os analfabetos letrados que não leiam aquilo que temem; os masoquistas que aproveitem ao máximo o desprazer de se torturar com instrumentos emprestados. A todos estes eu me recuso a entregar este meu Gilberto Freyre, curinga paradoxal, anárquico revolucionário, destruidor de cortes que finge frequentar. Contraditório, parcial, inconcluso, virtual.
Deste meu Gilberto Freyre, não abro mão.
É so.
Fonte: NEVES, Luiz Felipe Baeta. Gilberto Freyre, o sociólogo. In: Seminário de Tropicologia: Trópico & Gilberto Freyre, antecipador, antropólogo, escritor literário, historiador social, pensador, político, tropicológico, 1980, Recife. Anais... Recife: Fundaj, Massangana, 1983. p. 197-204.
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