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Assinatura de Gilberto Freyre
Artigos : Periódicos Científicos  



INSTITUTO JOAQUIM NABUCO


CONSELHEIRO GILBERTO FREYRE - Sr. Presidente, Srs. Conselheiros:

Em primeiro lugar, antes de entrar no objeto específico desta comunicação, desejo referir-me às palavras que há pouco pronunciou o conselheiro Clarival Valladares a respeito de dois movimentos coincidentes da história cultural do Brasil que foram a Semana de Arte Moderna em São Paulo e o início do Movimento Regionalista, Tradicionalista, Modernista do Recife. Quero acentuar que acaba de aparecer um artigo, que é um ensaio, daquele que talvez seja atualmente o mais sistemático, ao mesmo tempo que brilhante crítico, literário do Brasil, Nogueira Moutinho, da "Folha de São Paulo", uma rápida, mas decisiva, análise ou confronto, do ponto de vista analítico-crítico, desses dois movimentos, um comentário interessantíssimo, válido, já com o caráter de avaliação histórica, em que ele diz que continua questão aberta uma avaliação comparativa entre os dois movimentos. Isto é significativo porque tem havido uma relativa disparidade no comentário aos dois movimentos, dando-se o relevo merecido à Semana de Arte de São Paulo, através de uma informática cibernética adequada, e um relativo silêncio em torno do verdadeiro alcance do movimento do Recife, ao qual acaba de referir-se, com a precisão de costume, o Conselheiro Valladares, onde mostra que na concepção de renovação cultural, literária, artística do Recife, houve uma abrangência, inclusive uma sensibilidade a valores tradicionais e históricos que não esteve de modo tão efetivo no movimento paulista, uma observação que foi feita na época, ainda quentes os dois Movimentos, por um observador europeu que talvez deva ainda ser considerado o mais arguto dos observadores europeus da cultura daquela época no Brasil, que foi o suíço afrancesado Blaise Cendrars.

Mas o objetivo específico da minha comunicação é, Sr. Presidente, fazer entrega a V. Exa. do texto do discurso pronunciado a 21 de julho último pelo Presidente da Diretoria Executiva do Instituto Joaquim Nabuco de Pesquisas Sociais, Dr. Fernando Freyre, por ocasião da comemoração dos vinte e nove anos da criação do mesmo Instituto, comemoração que reuniu no Auditório Roquette Pinto praticamente todos os Diretores de Departamentos, pesquisadores, auxiliares de pesquisas, servidores ligados de qualquer modo a várias atividades, cimo a Biblioteca, o Arquivo, três Museus, todos em pleno funcionamento, no desempenho de uma grande função educativa e o Centro de Processamento de Dados, que é o único no nordeste do Brasil e talvez no Nordeste e Norte, tanto que dele se estão servindo Universidades da Região. Essa reunião foi memorável porque reuniu todos aqueles que constituem, como força de trabalho, essa organização científica, esse centro cultural, todos os membros dessa força de trabalho, dos mais destacados modestos, identificados de maneira notavelmente expressiva com o esforço representado por vinte nove anos de afirmação de quanto se vem realizando nesse órgão vinculado, como autarquia, ao Ministério da Educação e Cultura, através do Departamento de Assuntos Culturais, dirigido pelo Professor Diégues Júnior, sob a direção do Ministro Ney Braga, tanto o Ministro como o Diretor se tendo revelado, nos últimos anos, especial simpatia e dado notável apoio à obra desse Instituto. Porém mais do que isto, a comemoração no Auditório Roquette Pinto comoveu a cidade do Recife, cidade ora fácil de ser comovida, ora dificílima de ser tocada por qualquer emoção, um paradoxo do seu caráter de metrópole de região e de capital de uma Província, todos sabemos, de tão destacada atuação na História Brasileira. Toda a cidade se comoveu de fato, despertada pela data, de vinte e nove anos de criação de um Instituto, hoje parte tão viva da cidade, através das pesquisas que realiza e através dos seus museus, vivos, atuantes, dinamicamente educativos, para onde afluem estudantes, escolares, crianças da cidade, do Estado, da região e de outros Estados e do estrangeiro que passam pelo Recife.

Neste discurso comemorativo, refere o atual Presidente Executivo, Dr. Fernando Freyre:

"Completa hoje, o Instituto Joaquim Nabuco de Pesquisas Sociais, 29 anos de existência legal. E aqui estou para, com a ajuda de todos vocês, prosseguir na minha tarefa administrativa como Presidente da sua Diretoria Executiva, iniciada em Julho de 1971.

Numa espécie de conversa informal, tentarei dizer em linhas gerais o que pretendo, com o apoio de todos os que trabalham nesta Casa de Pesquisas, executar nos próximos anos.

Discute-se se uma instituição pública será capaz de desenvolver a contento tarefas de pesquisa. Alega-se, coloca-se em debate, os entraves burocráticos e outros aspectos que poderiam influir na atividade de pesquisa. Evidentemente há aspectos positivos e negativos nos centros de pesquisa que estão subordinados aos poderes estatais. Cláudio Moura Castro em seu trabalho "A Gerência de Pesquisa", estuda este assunto de modo lúcido. Parece-nos que há problema tanto nas instituições de pesquisas públicas quanto nas afastadas das influências governamentais.

O que entendemos indispensável é a realidade obtida através da qualidade da pesquisa que pode independer destes fatores, desde que sejam dadas ao pesquisador condições de trabalho compatíveis com a responsabilidade e a liberdade que são inerentes à criação científica. A pesquisa nas ciências humanas é uma busca da realidade social, uma procura da verdade científica.

O Instituto Joaquim Nabuco de Pesquisas Sociais, órgão vinculado ao Ministério da Educação e Cultura, através do Departamento de Assuntos Culturais, vem há 29 anos pesquisando a realidade social do Norte/Nordeste brasileiro com um único compromisso essencial: a verdade científica no que ela possa contribuir para a melhoria de vida do Homem situado nestas duas vastas regiões brasileiras. Ao pesquisar a realidade social do Norte/Nordeste, busca o Instituto levar ao conhecimento dos poderes competentes aspectos desta realidade para que a engenharia social atue com a finalidade de resolver entraves e problemas sociais capazes de obstacular o verdadeiro sentido do humanismo brasileiro que, segundo o ex-Ministro Ney Braga, é "a concentração do mundo no homem e a expansão do homem no mundo".

Não pode haver no campo da pesquisa social o diletantismo que ignora o momento difícil que o mundo atravessa, onde e quando o Homem é constantemente desafiado a vencer dificuldades e resgatar a sua sobrevivência através de trabalho árduo e inteligente. Nós, brasileiros, estamos empenhados na conquista do futuro. Nação em desenvolvimento, no presente forjamos, nos mais diferentes setores de atividades, as possibilidades de um futuro tanto mais próximo e promissor em termos de bem estar social quanto seja o empenho idôneo de todos e para todos. "O desenvolvimento não se reduz a um simples crescimento econômico. Para ser autêntico, deve ser integral, quer dizer, promover todos os homens e o homem todo". São palavras do Papa Paulo VI na Encíclica sobre o Desenvolvimento dos Povos.

Não nos cabe outra tarefa que não seja a de, através do Instituto Joaquim Nabuco de Pesquisas Sociais e, na medida de nossas possibilidades, concorrermos com uma parcela de esforço para um desenvolvimento integrado, saneador de injustiças sociais, propiciador de uma visão lúcida sobre os nossos problemas de país tropical e possuidor de cultura ao mesmo tempo una e plural, diversificada e caracteristicamente brasileira.

Um Instituto de pesquisas há que ter as suas particularidades de atuação, não pode se assemelhar a uma fábrica nem a um laboratório das chamadas ciências exatas, por exemplo.

A força de um instituição de pesquisa, como aliás de qualquer instituição, está na idoneidade e capacitação profissional de seus técnicos e dirigentes. Trabalho também criador, a pesquisa na área das ciências sociais depende das motivações que venham a ter os seus pesquisadores, motivações tanto mais difíceis de serem identificadas quanto são tanto de ordem objetiva quanto subjetiva. Um pesquisador social não se improvisa, nem depende apenas de um caminho vocacional. Há que haver, nos pesquisadores sociais, a vocação se realizando através de sólidos conhecimentos científicos que o levam à criação eficaz. Eficácia que só poderá ser aferida em termos de contribuição criadora que não se aparte da verdade científica.

Cabe aos institutos de pesquisa incentivar vocações confirmadas exercício da profissão assumida, e canalizar esta vocação que mais tarde será experiência e conhecimento conjugados para, através de pesquisas básicas ou aplicadas, servirem à meta fundamental de qualquer trabalho, seja ele o que for, contanto que idôneo: a realização do homem no seu ambiente e por extensão no seu país e no mundo.

Na verdade, a ciência que não servia ao Homem não serve à nada. Daí a necessidade de o cientista social ter, além dos seus conhecimentos especializados, uma formação humanística que o ampare ou impulsione nas suas árduas tarefas setoriais. Qualquer ciências para ser ciência há que ser universal. Mas aos cientistas sociais não pode faltar uma visão de cultura onde ele próprio está inserido, o conhecimento da história do seu povo, das particularidades regionais do seu país, conhecimento sem o qual não chegará a possuir uma noção exata do interrelacionamento inevitável do regional e entre este e o universal.

Este Instituto pretende, desde a sua fundação, contribuir para a melhoria das condições de vida do trabalhador brasileiro, notadamente dos situados no Norte-Nordeste deste país. É órgão regional sem desprezar a visão do que seja nacional e universal, numa sociedade situada em trópicos que estão a desmentir a impossibilidade, que alguns tristes cientistas viram, de neles florescer uma civilização.

Com objetivos científicos mas com grandes preocupações sociais, desvinculados de política partidária, distanciados do ufanismo dos ingênuos e do pessimismo dos derrotistas e derrotados - posições extremadas que tanto podem ser fonte de má-fé quanto da observação baseada em aparências, quase sempre, enganosas - os que trabalham no Instituto Joaquim Nabuco acreditam no futuro da região e do Homem do Nordeste. Reconhecemos o agravamento na repartição pessoal do produto no Nordeste e suas conseqüências: bolsões de pobreza, desnutrição e mortalidade infantil. Não esquecemos da população rural ainda vivendo um regime injusto de distribuição de terras. Aguardamos reformas agrárias que atendam as mais diferentes regiões brasileiras e aos brasileiros que trabalham no campo, assalariados, pequenos e médios agricultores, pequenos e médios criadores. Que lhes sejam dadas condições para que tenham capacidades normais de existência.

Consideramos ainda grave o problema das desigualdades regionais e do alto índice de custo de vida - no Nordeste mais elevado que no centro-sul. Defendemos o regionalismo sem confundi-lo com separatismo, mas objetivando que, através desta visão, a engenharia social, a partir do que seja regionalmente brasileiro, construa os sólidos alicerces de uma sociedade mais próxima do bem-estar proporcionado pelos frutos do desenvolvimento integrado. Participamos com a Universidade Federal de Pernambuco, do pioneiro no Brasil, Seminário de Tropicologia, onde se vem procurando esclarecer a convivência do Homem tropical com a sua cultura e o meio ambiente, convivência que está forjando - particularmente a do Homem brasileiro - uma civilização nos trópicos que muito poderá trazer em sugestões para outros povos e nações ameaçados por problemas aparentemente intransponíveis.

Não desprezamos o incentivo aos ensaios livremente criadores que, ao lado das pesquisas de campo, venham prestar relevante contribuição ao esclarecimento de aspectos regionais e nacionais, com visões obtidas através do economista do sociólogo, do antropólogo, do geógrafo, do psicólogo, do historiador social, do museólogo, do educador. Estas visões poderão deixar de ser delimitadas pelos seus conhecimentos específicos, auxiliadas numa conjugação de esforços e saberes para uma visão interdisciplinar, quando esta for imperativa.

Casa de Pesquisa, não nos cabe fechar janelas e portas para o mundo do saber. Aqui, todos os saberes serão benvindos se puderem trazer alguma contribuição à cultura brasileira.

Aqui, no Instituto Nabuco temos procurado convocar e até formar jovens pesquisadores. E podemos dizer que no nosso quadro de pessoal há uma predominância numérica de jovens. Entendemos que o atual processo de desenvolvimento brasileiro não pode prescindir da participação da juventude. Os cargos devem ser ocupados por jovens desde que estes jovens tenham condições de exercê-los. Não devem haver preconceitos de idade e gerações. Existem, e isto é óbvio, jovens competentes e velhos incompetentes, como existem jovens incompetentes e velhos competentes. Existem jovens que são verdadeiros anciões do espírito, enquanto há pessoas que, mesmo na idade provecta, permanecem jovens, vencendo, através do poder criador, das suas idéias, as mesquinhas cronologias. O que não deve existir é o preconceito de que os jovens não podem ocupar cargos de responsabilidade. No processo de seleção, que aqui implantamos, apenas o saber e a idoneidade são levados em consideração.

O sociólogo-antropólogo Gilberto Freyre, que teve a idéia de criar este Instituto e é o Presidente do seu Conselho Diretor, em recente contribuições para a revista Cultura, afirmou: "Segue o Instituto Nabuco uma nítida filosofia acerca do que seja a relação entre Ciência do Homem e a condição humana, quer considerada ecumenicamente, quer considerada situacionalmente. E o situacional, no caso, vem incluindo, desde os começos do Instituto Nabuco (...), para os seus dirigentes e pesquisadores, o regional, o ecológico, o nacional.

Não são eles abstratos: são existenciais no amplo sentido de expressão. Não são presentocentristas: consideram seus pesquisadores o tempo tríbio e, como tal, permanentemente, uma interrelação do passado, presente e futuro. Não são um agregado de especialistas: são um conjunto de interespecialistas que, atentos uns ao trabalho dos outros, se orientam para um generalismo que constitui um interespecialismo dinâmico e, quando possível, criador e acima de puros especialismos: uma espécie de miscigenação cujos produtos sejam complexos nas sínteses que apresentam e através das quais procuram-se soluções das chamadas gestaltianas. Não são numerológicos nem estatisticomaníacos; mas valorizam os números que definam situações susceptíveis de serem assim, se não definidas, apresentadas, classificadas e esclarecidas. Não são adeptos de sociologias ou antropologias, ou ecologias, ou psicologias que se fechem em escolas como agora, a estruturalista; mas não repudiam contribuições, nesses setores, ligadas a grandes nomes de criadores ou de renovadores dessas e de outras escolas ou sistemas".

Estas palavras de Gilberto Freyre são uma síntese do que pretendem continuar a ser os dirigentes do Instituto e uma espécie de filosofia de ação desta Casa de Pesquisa.

Os dois grandes problemas que encontram Instituições como Nabuco são: os altos custos operacionais da pesquisa e a, quase sempre, baixa remuneração do pesquisador. Quanto a este último há de haver dois tipos de remuneração: uma em termos de salário e outra em termos de satisfação psicológica, realização pessoal, através do trabalho que executa e do ofício que exerce.

Sabe-se que o administrador tanto corre o risco das improvisações quanto das "camisas de força" de planos rigidamente traçados com antecipações temporárias. Mas, já é um truísmo que não é possível administração eficaz sem planejamento idôneo.

Não pretendo esmiuçar detalhes de programas administrativos. Antes, comunicar algumas intenções para os 3 anos que me restam de mandato, sem entretanto, excluir a possibilidade de serem enriquecidas estas intenções com novas sugestões por parte de todos aqueles que com devotada competência vêm dedicando os seus esforços e trabalhos a esta Autarquia.

Quem pesquisa busca conhecer aspectos ainda não esclarecidos. Toda pesquisa procura o conhecimento para coloca-lo a serviço da coletividade, seja a pesquisa dos laboratórios, nas ciências exatas, seja a pesquisa social no campo, na sociedade que, como todos sabem, é ao mesmo tempo condicionante e condicionadora do Homem que nela sofre os processos de adaptação e transformação, inter-relacionando-se influências as mais diversas. Não pode existir ciência sem criação e, nas chamadas ciências sociais, não raramente ciência e arte se unem na técnica da interpretação. Mas, o que visaremos é evitar o desbaratamento de esforços e uma improvisação como norma de conduta que não ajudam às tarefas criadoras, porque a própria criação não pode prescindir de uma disciplina, desde que criar, é ação inteligente voltada para um objetivo. Tendo isto em vista, solicitei aos diretores dos departamentos de pesquisa, ouvidos os pesquisadores, um estudo visando sistematizar as atividades de Pesquisa desta Casa. Esta sistematização sem ser dogmaticamente cerceadora de adaptações e circunstâncias futuras, obedece a princípios.

Continuaremos procurando criar melhores condições para que cada pesquisador tenha um projeto seu, individual, de mais longa duração, que se desenvolva paralelamente a outros de que participe o mesmo pesquisador.

Para permitir a cada pesquisador maior conhecimento sobre o processo de qualquer projeto de pesquisa - individual, de equipe, encomendado - em execução no Nabuco, foi instituída a realização, uma vez por quinzena, pelo menos, de uma sessão denominada de Seminário sobre a Andamento de Pesquisa (SAP), e da qual participam livremente os pesquisadores interessados.

Além de apresentar seus trabalhos em Seminário, estamos incentivando os pesquisadores a escrever relatórios de pesquisa, que venham a revelar seu conhecimento do tema abordado e domínio do campo teórico que lhe diz respeito, provendo-se a sua publicação na revista Ciência & Trópico, ou nas séries da programação editorial do Nabuco e até em revista fora do Instituto.

Para nos auxiliar nesta tarefa, criamos a Coordenadoria Geral de Pesquisa - COGEP - que se encarrega, além da coordenação dos seminários, de realizar levantamentos sumários referentes a temas julgados de interesse para objeto de estudo pelos pesquisadores, suas auxiliares e estagiários. Ou seja, a COGEP prepara uma lista de tópicos gerais que servirão para orientar os pesquisadores na escolha de assuntos para projetos de pesquisa, selecionando, entre os temas levantados, aqueles com maior prioridade. Cabe, porém, aos pesquisadores, identificar os assuntos específicos que lhes interessam como proposição para estudo, ficando por conta da COGEP a aprovação da escolha feita, em face das exigências regimentais do Instituto.

Também vinculada diretamente a Diretoria Executiva criamos a Coordenação Geral de Assuntos Culturais - COGEAC, composta de três membros e destinada a sistematização dos programas de ação cultural desenvolvidos pelo Instituto. O seu trabalho inicial e elaboração do Plano de Promoção Cultural Nordeste, tendo por base a Política Nacional de Cultura. Este Plano foi lançado e discutido em plenário durante o III Encontro Cultural Nordeste e sua pretensão é integrar as várias iniciativas culturais setorialmente desenvolvidas pelos órgãos públicos atuantes nos Estados da região, sejam eles federais, estaduais ou municipais. E assim é que temos executado a nossa programação cultural a exemplo da I e II Mostra e Simpósio do Filme Documental Brasileiro, o I, II e III Encontros Culturais Nordeste.

A convite do governo dos Estados Unidos da América, estive recentemente em algumas Universidades e centros de pesquisas daquele país. Foi para mim uma excelente oportunidade de não só conhecer alguns dos seus órgãos de ensino e pesquisa como de participar de reuniões e seminários com professores, pesquisadores, empresários, estudantes, etc.

Pude ver e sentir como estão se desenvolvendo os projetos de pesquisas sociais naquela nação amiga, tanto nas Universidades como em instituições semelhantes ao Nabuco, desvinculadas de ensino e exclusivamente de pesquisas, como a Rand Corporation, Inter-American Foundation e o Brookings Institution. Também pude verificar a grande penetração dos trabalhos deste Instituto e o alto conceito que goza em várias das instituições visitadas. Considero uma obrigação desta Casa de Pesquisa estreitar casa vez mais o intercâmbio com os órgãos assemelhados da América Latina, do Norte, da Europa, da Ásia e da África.

No plano administrativo procurarei, a todo custo, continuar a incentivar os departamentos administrativos a serem, cada vez mais, órgãos apoiadores das atividades fins desta Casa. Se não existe a perfeição e nem tudo pode ser o que idealizamos, devemos nos esforçar para atingir a justificativa de um lema a ser seguido: "O máximo de eficiência com o mínimo de burocracia". É o que temos procurado atingir dentro das limitações que nos são impostas pelos chamados órgãos centrais de sistema.

Com grande esforço conseguimos superar entraves burocráticos e implantar a reforma administrativa com alteração da estrutura orgânica. O Plano de Classificação de Cargos está sendo ultimado. A área física deste Instituto, com a incorporação do Centro Regional de Pesquisas Educacionais do Nordeste e do Museu do Açucar, foi aumentada de 5.252m2 para 22.934m2. Concluimos o edifício José Bonifácio iniciado na gestão de Mauro Mota. Construímos o edifício Antiógenes Chaves. Adaptamos o edifício Renato Carneiro Campos e nele instalamos a Biblioteca Central Blanche Knopf e alguns dos departamentos de pesquisa. O edifício Delmiro Gouveia hoje abriga o Museu de Arte Popular. Aumentamos e adaptamos o edifício Arthur Orlando. Implantamos os serviços de microfilmagem, processamento eletrônico de dados e editoração. Instalamos um posto de serviços bancários e ampliamos o dos correios. Criamos o escritório de representação em Brasília e ultimamos as demarches para os dois Maranhão e Amazonas. Organizamos o Museu e o Arquivo Joaquim Nabuco. Adquirimos duas modernas Centrais Telefônicas Automáticas PABX com capacidade final de 800 ramais internos e 40 linhas externas. Estamos ligados a rede nacional de Telex. Dezoito linhas tronco de telefonia foram adquiridas a TELPE e estão sendo instaladas. A força de trabalho do Instituto, que era de 82 pessoas em 1971, foi acrescida e hoje somos 232 servidores irmanados na grande família nabuqueana. O nosso orçamento nos últimos sete anos, a preço de 1977, elevou-se de 909,81% e hoje é de Cr$... 44.426.200,00 Regulamentamos o estágio remunerado de estudantes. Reclassificamos o pessoal estatutário e trabalhista e já em fase final se encontram os abrangidos pelas Instituições Normativas do DASP de n.ºs 67 e 71 e Norma 03. Implantamos os institutos de aumento por mérito e da progressão. Regularizamos a situação e reclassificamos os servidores do INEP/CRPE-Ne e já iniciamos o processo de regularização dos procedentes do IAA/Museu do Açúcar. Proporcionamos aos nossos servidores cursos de Treinamento visando os processos seletivos para ingresso no Plano de Classificação de Cargos além de curso de aperfeiçoamento para os ocupantes de cargos de direção intermediária. Incentivamos a criação da Associação dos Servidores do Instituto Joaquim Nabuco de Pesquisas Sociais, hoje plenamente vitoriosa.

Em traços gerais, na linha administrativa pretendo dar continuidade a um planejamento apoiado por dotações orçamentárias específicas: melhoria das comunicações; instalação de equipamentos centrais de ar condicionado, no Departamentos de Sociologia, Geografia e Psicologia Social no Edifício Renato Campos; construção do Bloco C no conjunto da sede, na Avenida Dezessete de Agosto, destinado aos departamentos administrativos; relocalização do Museu de Antropologia no 1º andar do Edifício Gil Maranhão; ampliação da área física do depósito de livros e periódicos da Biblioteca Central; modernização do sistema e adequação dos métodos de trabalho do Almoxarifado Central; ampliação da área e instalação de ar condicionado no Museu do Açúcar; reforma dos Auditórios Sylvio Rabello e Benicio W. Dias; implantação do sistema administrativo; instalação da Livraria Estêvão Pinto. Além disso, continuaremos a envidar todos os esforços para a ultimação do Plano de Classificação de Cargos; a melhoria dos controles orçamentários, financeiros e patrimoniais através do processamento em computador eletrônico; realização do projeto para o novo sistema de cadastro de pessoa e folha de pagamento; definição do quantitativo de lotação dos grupos Planejamento e Processamento de Dados.

Nesta Casa não faltará nunca o apoio do Presidente da Diretoria Executiva aos que realmente forem competentes e dedicados ao trabalho. Todas as sugestões idôneas serão levadas em consideração pela Diretoria executiva.

Partindo dos estudos realizados por um grupo de trabalho, presidido pelo geógrafo Gilberto Osório de Andrade, ultimamos o projeto de alteração da nossa natureza jurídica visando a constituição de uma Fundação que, aprovado pelo Conselho Diretor desta Casa de Pesquisas, foi submetido à consideração do Senhor Ministro da Educação e Cultura e, hoje, se encontra sendo analisado pela Secretaria de Planejamento da Presidência da República. Não há ainda data prevista para a mudança, mas tudo indica que ela não demorará muito e poderá ocorrer ainda este ano. Com essa transformação jurídico-organizacional o Instituto terá melhores condições para prosseguir e ampliar os seus trabalhos. A Fundação também proporcionará uma maior flexibilidade administrativa, possibilidades ampliadas para operar com a iniciativa privada, maior cooperação internacional, convênios com instituições nacionais e agências internacionais, assistência técnica e ainda maiores possibilidades de execução de serviços para terceiros, inclusive para órgãos diretamente vinculados ao processo de desenvolvimento brasileiro.

Sabemos, nós do Instituto Joaquim Nabuco de Pesquisas Sociais, o quanto é importante a formação de uma memória nacional que preserve a perenidade da História as conquistas do homem brasileiros no âmbito da cultura e na força do seu poder criador. Por isso, criamos o Centro de Estudos da História Brasileira Rodrigo Mello Franco de Andrade - CEHIBRA, que procuramos dinamizar, cada vez mais, certos que assim fazendo estaremos indo ao encontro da notável Política Nacional de Cultura surgida na gestão do então Ministro Ney Braga.

Continuamos dando todo apoio e incentivo às publicações do Instituto, principalmente às séries Estudos e Pesquisas, Monografias, Documentos e Cursos e Conferências além da revista Ci6encias & Trópico. Procuramos manter o alto nível das nossas publicações, sejam livros, revistas, ou monografias, e tentaremos fazer com que estas edições atinjam de modo mais amplo ao público interessado nos estudos sócioculturais com a racionalização das remessas à entidades e colocação para venda em livrarias. Também, quando conveniente, publicaremos cada vez mais em regime de co-edição trabalhos de importância significativa na áreas das ciências sociais e da cultura.

Tenho profundo respeito pela figura do verdadeiro pesquisador este quase sacerdote da ciência, respeito pelo saber aplicado para contribuir na construção de uma sociedade cada vez mais justa e capaz de oferecer ao homem bem-estar e realização plena das suas capacidades de indivíduo e cidadão.

Espero não desmerecer a confiança do Conselho Diretor que, hoje, se encontra integrado por Gilberto Freyre, Nilo Pereira, Ruy João Marques, Nilzardo Carneiro Leão e Marcos Vinicios Vilaça, como membros efetivos, e por Monsenhor Severino Nogueira e Mário Lacerda de Melo, como suplentes, todos idôneos e renomados intelectuais brasileiros. Empenharei todos os meus esforços para não desmerecer a confiança reafirmada pelos Excelentíssimos Senhores Ministros da Educação e Cultura e pelo Presidente da República.

Tenho a certeza que continuarei a contar com o apoio de vocês, de todos os que lutam, ao meu lado, por um Instituto Nabuco cada vez mais forte e atuante".

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Compreende-se assim, Srs. Conselheiros, que o eminente candidato à presidência da República, que vai agora ao Nordeste, em visita especial ao Recife, tenha escolhido o Instituto Joaquim Nabuco de Pesquisas Sociais para o órgão cultural em que se concentraria a sua atenção à cultura do Nordeste neste momento e Sexta-feira o ilustre candidato General Figueiredo estará em contacto com os pesquisadores, as pesquisas e os museus do Instituto Joaquim Nabuco, por uma sua livre escolha, por uma sua inteira iniciativa.

Era o que eu tinha a dizer.

CONSELHEIRO JOSÉ CÂNDIDO DE MELO CARVALHO, na Presidência - A Presidência fará publicar no Boletim do Conselho Federal de Cultura o relatório quer V.Exa. vem de apresentar e que levará aos brasileiros o que tem sido o trabalho extraordinário que o Instituto Joaquim Nabuco de Pesquisas Sociais vem realizando em seus vinte e nove anos de existência do maior valor para a cultura brasileira.

(Notas taquigráficas da sessão plenária de 9.8.1978)



Fonte: FREYRE, Gilberto. Instituto Joaquim Nabuco. Boletim do Conselho Federal de Cultura. Rio de Janeiro, a. 8, n. 32, p. 58-71, jul./set. 1978.

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