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Assinatura de Gilberto Freyre
Opúsculos  



UMA CAMPANHA MAIOR QUE A DA ABOLIÇÃO


Os estudantes do Recife que hoje se batem pela democratisação do Brasil e contra a continuação da Ditadura de 37 querem que saia em folheto a entrevista que se segue, concedida ao Diario de Noticias, da Baia e publicada também pelo Estado da Baia, por o Jornal, Diario de São Paulo, O Unitário e o Jornal de Alagoas. Concordando com a publicação do folheto associo-me áqueles estudantes intrepidos no desejo de que as palavras de definição de atitude contidas na entrevista apareçam como uma homenagem á memoria de Democrito de Souza Filho, o martir de 3 de Março de 1945. Martir da causa que hoje une estudantes, intelectuais, cientistas, artistas e técnicos á gente do povo, á gente de trabalho, ao pequeno funcionario publico, ao operario mistificado e explorado como ninguem pela atual Ditadura através de conhecidos "sindicatos" policiais e de ministros de Trabalho e interventores tambem conhecidos por seus métodos nojentamente policiais de lidar com o operariado honesto e com a mocidade insubmissa. Com a mocidade que mesmo quando pobre não se deixa comprar com os cargos de "secretas de policia" e de funcionarios de "cooperativas" que lhe são postos á disposição por governantes corrompidos e corrutores.

Democrito de Souza Filho era estudante pobre mas insubmisso. E nunca se deixou corromper. Cargo nenhum em policia, em jornal oficial ou oficioso da Ditadura, em Instituto ou Cooperativa semi-fascista era capaz de corrompe-lo.

Conheço bem sua familia de fidalgos arruinados. Meu, ele não foi só um companheiro de luta politica nestes ultimos anos, mas pessoa ha muito tempo quasi de casa, quasi um sobrinho, quasi um irmão mais moço, menino que vi tornar-se homem, tão amigas foram sempre minha gente e a dele. Lembro-me de Democrito criança na casa avó, minha querida amiga Dona Maroquinha Tasso. Tasso pelo lado materno, ele era profundamente afeiçoada á sua bôa Dinda, velhinha cuja ternura é a mais franciscana que conheço. E aqui desejo destacar o fato de que Moquinha - que é como Democrito Filho era chamado pelos seus intimos - caminhando com caminhava para a vanguarda do movimento de democratisação social do Brasil cumpria um velho destino de pernambucanos bem nascidos: o de se tornarem povo, o de lutarem pelo povo, o de ás vezes empobrecerem pelo povo e com o povo o de sofrerem e até morrerem pelo povo. O destino de Nunes Machado. O de Pedro Ivo, o de Jeronimo Vilela, o de Nabuco, o de José Mariano.

Democrito de Souza Filho vinha de familia ilustre de Pernambuco, de gente da melhor fidalguia da provincia. Gente que ha meio seculo viveu dias de grande opulencia, morando em alguns dos melhores sobrados da cidade e entre jacarandás e pratas magnificas que os leilões dispersaram. Gente que deu ao Brasil uma de suas maiores e mais heroicas figuras de soldado: o Barão da Vitoria. Descendente direto do Barão da Vitoria (quarta geração), Democrito foi creado entre tradições genuinamente aristocraticas. Entre restos de jacarandás, pratas e porcelanas finas. Mas em Pernambuco essas tradições, quando genuinas estão sempre proximas das democraticas. Os inimigos do povo nesta parte do Brasil, os que se afastam do povo com nojo, os que os exploram e oprimem, os que mandam dar surras, os que prendem estudantes, operarios e matutos para que conheçam o que eles proprios, fascistas e para-fascistas, denominam "a violencia do Estado Novo" são quasi sempre os novos-ricos, os novos-poderosos, os novos-cultos.

Desde pequeno Democrito conviveu com gente do povo, da qual foram sempre muito queridos seu pai, o advogado Democrito de Sousa e seu tio, meu fraternal camarada José Tasso, amigo como eu de Pai Adão, de outros babalorixás, de xangós do Recife da gente do Club das Pás, do Vassourinhas, dos Lenhadores, da festa de Guararapes, da gente que verdadeiramente constitue o Recife, Pernambuco o Brasil.

Entre essa gente, e não nos clubes dos novos-ricos, vivemos o melhor da nossa mocidade e entre ela temos José, eu e o velho Democrito amigos sinceros e bons dos quais Democrito Filho vinha tambem se aproximando nos ultimos anos.

Anibal Machado salientou uma vez, com sua autoridade de leader intelectual esquerdista, o merito extraordinario dos que nascidos e criados como Democrito em meios fidalgos e dentro de tradições aristocraticas se tornam do povo e entregam-se com sacrificio do conforto burguês á causa da gente de trabalho. Este é hoje o caso de numeroso grupo de estudantes das escolas superiores do Recife e de todo o Brasil. O caso de numerosos professores jovens. De imenso grupo de medicos, engenheiros e advogados novos. Eles se batem por uma democratisação da economia, da cultura e da vida brasileira que ultrapassa os arcaicos programas da maioria dos politicos que falam de "democracia" e para os quais "democracia" é apenas o voto, a atividade dos partidos, o congresso. Com tal mocidade e com os operarios esclarecidos que hoje estudam seus proprios problemas e não se deixam mistificar por sindicatos dirigidos pelos policias estaduais é que terão de principalmente contar os verdadeiros leaders da reconstrução social do Brasil. Reconstrução de que nos aproximamos.

Democrito de Souza Filho morreu por um Brasil verdadeiramente democratico e, ao mesmo tempo, verdadeiramente cristão. Nele o democratismo não se separou nunca do cristianismo - um cristianismo fraternal, social, amigo do pobre, nunca o dos jesuitas do Nobrega - colegio do Recife muito ligado ás secretarias do atual governo de Pernambuco e no qual Democrito esteve por algum tempo mas donde se afastou enojado da politiquice policial que ali se faz ha anos e principalmente ha sete anos; nunca o de padres e publicistas catolicos que se põem a serviço dos "Estados Fortes", dos novos-ricos, dos regimens de opressão da mocidade, da inteligencia, do operario.

A historia brasileira tem poucos martires da grandesa de visão e da puresa de propositos do adolescente agora assassinado no Recife. Estudante altiva e dignamente pobre, o neto de fidalgos heroicos que desde novo encontrou entre a gente do povo seus melhores amigos, o Democrito assassinado pela policia civil de Pernambuco na tarde de 3 de Março de 1945 não morrerá nunca na memoria dos brasileiros. Tornou-se o simbolo de uma geração inteira.

Gilberto Freyre
Santo Antonio de Apipucos
Março de 1945

-"Tenho grande satisfação em ser ouvido neste momento por um jornal baiano. Sinto que politicamente pertenço mais á Baía do que a qualquer outra parte do Brasil. Não me refiro a ligação de naturesa partidaria, pois não pertenço a partido nenhum. Mas tendo meu sentido de atividade ou do responsabilidade politica, base regional e historica ao mesmo tempo que socialista e universalista, é da tradição baiana que ele principalmente se nutre. Pois ao meu vêr, como já tive ocasião de dizer aos moços baianos, a Baía é na formação brasileira, mais do que qualquer outro centro de vida nacional ou regional, a Cidade ou a Civilisação, com uma responsabilidade unica, mantida através do Imperio e da Republica por seu grande povo e por seus grandes homens politicos, de coordenação do que ha de disperso num Brasil ainda hoje desconexo e apolitico devido à sua formação exageradamente privativista sob o patriarcalismo rural e pastoril. Sem o baiano, só com gaúchos, paulistas ou pernambucanos, talvez não houvesse o Brasil mas varios pequenos Brasis. O nervo principal da idéia ou do sentido o mais possivel universal de comunidade brasileira, creio que o encontramos na tradição politica da Baía essencialmente civil e matriarcalmente civilisadora do resto do Brasil. Não foi por acaso que em momento dramatico da vida do primeiro José Bonifacio ele e a Baía se compreenderam como filho e mãe. Aquele paulista de Santos com sua visão larga, profunda, genial, mesmo, dos problemas brasileiros, era politicamente antes um homem da Baía que de outro Estado do Brasil. Não há desdouro nenhum para nós outros, brasileiros de outros Estados, em reconhecermos essa superioridade da Baía no que se refere a adiantamento ou maturidade de espirito politico. As virtudes especiais dos homens dos demais Estados não ficam diminuidas. A verdade a ser reconhecída por todos é que cada vez que é preciso ao Brasil pensar e agir antes politicamente que industrial, intelectual, comercial ou militarmente, o leader natural, o coordenador de direito dos nossos esforços é a Baía. Neste momento é da Baía que mais necessitamos no Brasil: do espírito baiano de civilidade, de coordenação, de cidadania inteligente".

- Pode-se assim contar com mais um cidadão Baiano...

- "Não é de hoje que em politica procuro aprender com a Baía, embora pernambucano de quatros costados. Já confessei meu orgulho, depois do carinho excepcional com que em 1943 fui recebido aí, por intelectuais, estudantes, medicos, artistas, homens de todas as profissões e tendencias, gente do povo, em poder dizer: "agora sou tambem cidadão baiano". Mas destaque-se que é uma cidadania desinteressada de quem não pretende cadeira de deputado pela Baía, no caso de fracassar como candidato em Pernambuco. Esta é terra do Brasil onde nasci e a que amo como a nenhuma outra. Mas de modo algum sou candidato a deputado por Pernambuco ou por qualquer Estado. Não que me falte o respeito pela função parlamentar na reorganisação politica do Brasil. Simplesmente porque no meu caso o que eu poderia dizer ou fazer como deputado posso dizer e fazer mais à vontade como escritor, deixando assim no Parlamento lugar para outro".

Continua o entrevistado:

-"Como escritor sou dos que pensam não de agora, nem dos dias mais dificeis atravessados pelo Brasil sob a atual Ditadura, mas de epoca ainda mais remota, que os intelectuais brasileiros precisam de intervir na vida brasileira, lutando até aos extremos, do lado dos oprimidos. E não escondo meu desejo de cada vez procurar intervir mais na vida brasileira. Creio que é hoje o dever de todos os intelectuais, cientistas e artistas, particularmente daqueles que como José Americo, Roquete Pinto, Miguel Osorio, Anibal Machado, Sergio Buarque de Holanda, Caio Prado Junior, Carlos Lacerda, Sergio Milliet, Nestor Duarte, Astrogildo Pereira, Prudente de Morais Neto, Otavio de Freitas Junior, Luis Viana, Jorge Amado, Anisio Teixeira, Artur Ramos, Estacio de Lima, Fernando de Azevedo, Cicero Dias, José Lins do Rego, Carlos Drumond, Alvaro Lins, Afonso Arinos de Melo Franco, Dionelio Machado, Otavio Tarquinio, Rodrigo de Andrade, Candido Portinari, Olivio Montenegro, Luis Camilo, Gastão Cruls, Raquel de Queiroz, Osorio Borba, Odorico Tavares, Genolino Amado, Antonio Candido, Luis Jardim, Vinicius de Morais, Santa Rosa, Austregesilo de Ataide - para só falar nesses - têm se especialisado no estudo de problemas brasileiros de cultura, de economia, de politica, no exame de suas origens e de suas relações com os problemas de outros povos na interpretação e expressão do sofrimento e da dôr do homem brasileiro. Passou o tempo de se temer no intelectual, no cientista social, no homem de estudo, no artista, o bisantinismo ou o artificialismo. Na Inglaterra como na Russia Sovietica e nos Estados Unidos a politica de transformação social que hoje vai realizando do quasi milagres nessas tres grandes comunidades vem se apoiando fortemente na orientação e nas pésquisas dos homens do estudo e de ciencia, e de artista e escritores que vivem não em torres de marfim, mas entre o povo".

- E os estudantes?

- "Dos estudantes direi o mesmo: que eles devem intervir ativamente na vida brasileira neste periodo de reorganisação em que entramos. Devemos todos enfrentar com resolução e unidos a Ditadura atual, cujos ultimos arrancos talvez se extremem em violencias ainda maiores do que as até agora praticadas. Pode haver ainda muito amok. A escolha, pelo Ditador, ao que parece ancioso por eternisar-se num poder que infelismente o vem corrompendo, de um politiqueiro dos precedentes do desde 1937 interventor federal em Pernambuco, para ministro da Justiça - o ministro que deverá presidir as anunciadas eleições - mostra claramente quais as disposições da gente que detem o poder. Não tenho duvida do que a liberdade dada de repente á imprensa e o anuncio das eleições visam só repercussão no estrangeiro, principalmente nos Estados Unidos, donde acabo de chegar. O Embaixador do Brasil em Washington tudo faz para dar aos americanos a impressão de que no Brasil não ha imprensa amordaçada nem Gestapo nem outras formas de opressão. Não creio, entretanto, que os norte americanos se deixem engabelar pelos fascistas e quasi-fascistas do Brasil. Quando lá estive verifiquei que a gente mais esclarecida já se convencera de que o unico fóco perigoso de semi-fascismo na America do Sul não é de modo nenhum na Argentina. O fóco brasileiro continua um perigo internacional e não apenas nacional para o após-guerra. Ninguem se ilude com os disfarces. O policial para nazista sr. Felinto Muller continua uma eminencia parda no Brasil. A resistencia da Ditadura ao clamor brasileiro pela anistia a Luis Carlos Prestes e aos demais presos politicos das esquerdas, e o fato de que em Estados como em Pernambuco, Policia, Secretaria da Justiça e Educação teem estado nestes sete anos em mãos de para-fascistas ou ex-integralistas é expressivo. Fala por si mesmo".

- E sobre a ação dos intelectuais e estudantes, pode nos adiantar alguma coisa?

O escritor que já foi preso por ter se batido pelo direito do operario brasileiro á greve, direito agora reconhecido no Mexico por todas as nações americanas com exceção do Brasil e que desde sua mocidade vem confraternisando com os operarios e com o povo, responde incisivamente:

- "Que intelectuais e estudantes devemos nos ligar principalmente com os operarios, cuja intervenção na vida brasileira é preciso que seja cada vez mais forte. Falo, é claro, dos verdadeiros operarios, nunca dos policiais que para servirem á Ditadura se fantasiam de trabalhadores. Tambem nos devemos ligar com elementos esclarecidos e democraticos da Igreja. Aos que não sabemos separar da Igreja a formação brasileira nem dos destinos brasileiros o Cristianismo, consola-nos o fato do que o Catolicismo no Brasil não é nenhuma senzala de "jesuitas" estrangeiros alongados em politicos e em policia. Refiro-me não aos Jesuitas em geral mas aqueles que aqui como na Espanha, em Portugal e na Polonia por si e por ex alunos em cargos ostensiva ou secretamente policiais, se extremaram em campeões e até agentes do fascismo, do nazismo, do franquismo e do chamado "corporativismo" de que está impregnado esse papel a desmanchar-se do pôdre, mesmo com os remendos de agora, que é a Constituição Brasileira de 37. Sei de fonte limpa que ha pouco andou por Pernambuco um maioral dos "Jesuitas" dessa especie que certamente foi tambem á Baía e a outros centros brasileiros para dizer aos moços que ainda se deixam influenciar por tão falsos profetas ser impossivel aos "verdadeiros catolicos" acompanhar a candidatura Eduardo Gomes, apezar do brigadeiro ser catolico: deviam ficar "com o governo". Isto porque - note-se como é significativa a razão alegada - isso do eleições e liberdade de imprensa no Brasil eram "uma imposição de Stettinius" e seria uma indignidade para o Brasil "aceitar tais imposições". O fato é, porem, que a maior e melhor parte do Catolicismo no Brasil não está dominada por esses estrangeiros afoitos a se fingirem de campeões de melindres nacionais brasileiros contra os Estados Unidos, a Comunidade Britanica e a União Sovietica. Nós sabemos todos que eles e seus crias policiais foram os mesmos que ousaram atacar Jacques Maritain e pretenderam dar-lhe lições de ortodoxia cristã. Sua influencia vai felizmente se amesquinhando. E cada um de nós conhece padres, sacerdotes, frades, irmãos Maristas, irmãis de caridade, intelectuais catolicos, jovens de idade, que seguem orientação bem diversa da dos fascistas jesuiticos. Aí estão os esplendidos Dominicanos Franciscanos, Carmelitas, Beneditinos, bispos como o de Penedo, vigarios moços como o admiravel Padre Oliveira tão querido pela gente necessitada do Recife quanto odiado pelos fariseus, como o Padre Leopoldo Fernandes, do Ceará, e mesmo Jesuitas brasileiros como Saboia de Medeiros e norteamericanos como Rossi, desassombrados em discordar do policialismo dos jesuitas alemães e portuguêses e das atividades tambem policiais de alguns antigos alunos de tais intrusos. Ai estão intelectuais catolicos da honestidade de propositos e de vida de Hamilton Nogueira, da combatividade de Sobral Pinto, Alceu Amoroso Lima, Alvaro Lins, Murilo Mendes, Jorge de Lima, Afranio Coutinho, Odilon Nestor, Liberalino de Almeida, Alvaro Pinto, da cultura de Andrade Bezerra, Luiz Cedro, Luiz Delgado e tanto outros. Sua orientação é cristã e democratica. Deles muito se deve esperar na reorganisação social do Brasil que se aproxima. E é com alegria que destaco aqui o fato de que varios desses Catolicos verdadeiramente cristãos já estão entre os intelectuais que veem se reunindo com artistas, com operarios, com trabalhadores, com a boa gente do povo que é a melhor reserva de energia do Brasil para discussão e esclarecimento de problemas de interesse comum. Esclarecidos esses problemas a demagogia da já impotente Ditadura atual não encontrará entre a gente de trabalho mais ingenua nenhum ambiente para sua, obra de mistificação e embuste. O trabalhador brasileiro, o pequeno funcionario publico, o intelectual, o gráfico, o artista, o caixeiro, todos vão vendo que a legislação social da Ditadura, contendo, como contem, iniciativas de incontestavel valor, pelo menos quando consideradas no seu aspecto teorico, tem, entretanto, por fim principal, não o bem estar da mesma gente, mas sua narcotização, para que seja sem fim o dominio dos mandões de 37. Varios destes ninguem ignora que estão a arrebentar não só de pôdres como de ricos. E muitas dessas riquêsas fabulosas, a custa da mal executada legislação social; a custa do trabalhador, do pequeno funcionario, da gente do povo, mistificada por meios de "sindicatos", falsas "cooperativas" e institutos de rotulos bonitos e programas generosos mas, na pratica, o desastre, que todos sabem, quando se trata de amparar os necessitados, quando se trata do invalido, da viuva, do velho ou do orfão obter a pensão prometida por leis quasi todas para inglês vêr. Ao despreso pelos necessitados corresponde o luxo em que vive a gorda burocracia de parentes e protegidos dos mandões do dia, instalados que nem pachás em palacios erguidos no Rio e em algumas capitais do litoral com dinheiro sugado ao pobre, ao trabalhador, ao trabalhador, ao pequeno funcionario, ás provincias e ao interior do infeliz Brasil. Em alguns trechos do nosso pais ninguem ignora que a mortalidade infantil é hoje alarmante. Um milhão e trezentos mil começos de vida perde o Brasil por ano. Em Pernambuco, emquanto os felizardos tiram centenas de contos na loterias de apolices camaradas, a tuberculose aumenta sem siquer haver lugar nos hospitais para os tuberculosos pobres morrerem com um pouco de conforto. Desminta-me, si estou mentindo, insuspeito Professor Otavio de Freitas. Corrija-me, se estou exagerando, o tambem insuspeito Dr. Artur de Sá. Em toda a parte do Brasil, a sub-nutrição, a doença social e a miseria imperam entre a maior parte da população".

Continuando, acentua o entrevistado.

- "A inflação já se tornou quasi igual á da China. Não há exagero nenhum no quadro da miseria brasileira ha pouco traçado pelo grande José Américo de Almeida e confirmado por Caio Prado Junior, um dos nossos maiores sociologos. E o que diz o medico Durval Rosas Borges em seu recente Socialisação da Medicina é alarmante. Para imenso numero de brasileiros a situação já é de desespero. Enquanto isso diz-se que só a verba secreta do Dip é de onze mil contos. Onze mil contos para bocas e penas compradas dizerem que em vez de miseria há hoje no Brasil uma fartura côr-de-rosa, com o leite e o mel correndo das têtas do chamado "Estado Novo" para as bocas abertas da gente com fome. Mentira. Admitida uma ou outra exceção, o que ha é uma prosperidade cenografica. Esconde-se a miseria do povo, sua fome, sua tisica, sua malaria, sua anquilostomiase, dos olhos dos estrangeiros ingenuos, levando-se, nas ruas mais expostas aos turistas, casas e vilas que as bocas e as penas oficiais dizem ser "tipicas" quando todos sabemos o que são, na verdade, as tais "campanhas contra mucambos" e "favelas".

Prosseguindo, diz o entrevistado:

- "Essa obra de mistificação chegou ao fim. Já não ha quem se deixe enganar pela voz carnavalesca do "Estado Novo" quando se diz amigo do povo, do operario, da democracia. Sabemos que ele é e tem sido amigo principalmente de exploradores do povo, de opressores do povo, de perseguidores do povo. Inimigo do verdadeiro operario, do verdadeiro intelectual, do verdadeiro estudante, do verdadeiro lavrador, do verdadeiro produtor, do verdadeiro cristão. Inimigo da democracia. Estão todos os brasileiros de brio empenhados numa das maiores campanhas na historia do nosso povo. Nem a da abolição foi maior. Estamos no começo de uma luta que pode tornar-se terrivel. Luta que não é apenas para restaurar aqui a simples democracia politica que a Ditadura destruiu no Brasil, mas para verdadeiramente começar a organisar entre nós a democracia social que inclue a politica e que num pais da nossa formação tem de ser essencialmente cristã, embora de modo nenhum clerical".

A esta altura salienta o escritor:

- "Nenhum de nós recuará dos perigos de semelhante luta. Estamos unidos agora, na campanha de libertação, em torno do Major Brigadeiro Eduardo Gomes, nosso candidato á Presidencia, cuja honestidade, cujo Cristianismo, cuja bravura, cuja capacidade de ação, cujo espirito publico herdado do Pai admiravel, valem por um programa de destruição do atual estado de coisas.

Pois este se tornou notavel precisamente pela negação daqueles valores. E agora é do que se trata: do repudio ás sobrevivencias fascistas. Depois cuidaremos da organização do Brasil".

- "Nestes dias de luta - continua Gilberto Freyre - devemos insistir no maximo de liberdade de critica, de palavra e de informação e não nos contentar com o minimo, que nos seja dado por caridade politica. Há fatos de interesses publico escondidos que o publico brasileiro e o publico das Nações Unidas precisa de conhecer. Seria otimo que fossem agora afastados de suas responsabilidades, correspondentes como o de certo jornal norteamericano no Rio si de fato são suas as graves e talvez calculadas inexatidões a favor da Ditadura brasileira que lhe atribui ha pouco o Sr. João Mangabeira, homem integro e bravo. É preciso que desapareça o arranjo entre o Dip do Brasil e não sei que Departamento do Governo dos Estados Unidos mediante o qual os correspondentes da imprensa norteamericana no Rio tinham de sujeitar-se à humilhação de receber o visto do Dip para todos os seus cabogramas e correspondencias. Foi assim quando eu fui preso pela Gestapo brasileira de 1942. Dois correspondente norteamericanos me comunicaram que tinham todos os fatos a respeito daquela violencia covarde e os consideravam gravissimos mas o estranho arranjo, sem duvida ignorado pelo povo norteamericano, os impediam de ser leais com o mesmo publico. É preciso que isso agora desapareça. Si vamos ter uma campanha eleitoral livre que se admitam aqui correspondentes da marca do representante The Cristian Science Monitor, que escreveu ha alguns meses notavel serie do artigos sobre o Brasil onde ele estivera; correspondentes como os do Time; escritores como Waldo Frank; e não apenas "jornalistas" da marca do correspondente denunciado pelo sr. João Mangabeira".

Pedimos ao autor de Casa Grande & Senzala que continuasse a nos falar da situação brasileira. Aquiescendo, ele prosseguiu nos seus reparos:

- "O Sr. Ditador do Brasil, com sua autoridade suprema, fez ha pouco um apelo aos jornalistas brasileiros para que conduzam a campanha eleitoral em "linguagem elevada". Um bonito apelo. O Sr. Ditador esquece, porém, que no auge do seu poderio ditatorial permitiu a seus lacaios mais servis uma grosseria de linguagem jornalistica inedita no Brasil pela forma porque os insultos eram impressos. Certo "jornalista" investido de funções de interventor federal num dos Estados do Norte e hoje, por insulto ao Brasil inteiro, ministro da Justiça, insultava ele proprio ou mandava insultar por seus crias, tambem investidos de cargos semi-policiais, adversarios que não tinham o direito de defesa. Eu proprio fui atacado em artigo de jornal por um desses crias da Ditadura, bacharelete gordo e de beiço sifilicamente caido que não sei si continua a exercer o cargo que então exercia. Atacado quando me encontrava não simplesmente impossibilitado de defesa pela imprensa, toda ela amordaçada, mas preso na imunda Casa de Detenção do Recife depois de ter, junto com meu Pai, oferecido a resistencia que nos foi possivel oferecer aos policiais a serviço de tão nauseabundos amos. Meu crime todos se recordam qual foi: foi ter denunciado atividades nazistas e para-nazistas, no Brasil, de falsos padres ou de estrangeiros fantasiados de padres e frades, um deles alemão racista que esteve a serviço da propria Interventoria Federal de Pernambuco como mestre supremo de escoteiros estaduais e colaborador da revista oficial do Estado dedicada a assuntos pedagogicos. Ai teve ele a audacia de recomendar aos brasileiros "o exemplo da mocidade hitlerista". Disseram, entretanto, os escribas da Ditadura que minhas acusações eram calunias: não havia tais agentes entre nós. Por algum tempo o Dip foi forçado não sei por que misterioso poder a proibir os jornais de tocarem no assunto. Mas quem agora afirma que houve tais agentes nazistas entre nós - nazistas disfarçados em padres, pois não devemos considerar padres verdadeiros figuras assim satanicas - é o proprio Snr. Ditador, em sua entrevista aos jornalistas do Rio. Felizmente hoje, sob a pressão do sentimento popular brasileiro que levou o Brasil á guerra como está levando a democratização integral, mesmo a custa de "lagrima, suor e sangue"; felizmente hoje soldados brasileiros, moços brasileiros, estudantes brasileiros batem-se na Europa pela causa que até o ano atrazado o ex-interventor de Pernambuco e hoje Ministro da Justiça, politiqueiro com pretensões a jornalista e tão famoso por suas afoitesas no poder quanto por sua covardia pessoal fóra dele, considerava em artigos bombasticos e cheios de insultos a brasileiros intelectual e moralmente seus superiores, causa estranha ao nosso pais, briga de estrangeiros, luta na qual o Brasil não tinha nada que se intrometer. Supunha ele então que os Hitlers e os Mussulinis brancos iam vencer, assegurando aos sub-Hitlers e sub-Mussulinis de côr - traidores de sua propria raça ou meia-raça - eternidade no poder. Gritava que a Grã-Bretanha estava podre. Espumava contra os Estados Unidos. Delirava contra a "Russia".

Sabiamos da participação do autor de Sobrados e Mucambos no recente e memoravel meeting havido no Recife, dissolvido a bala pela policia e do qual resultaram duas mortes e muitos estudantes, senhoras, crianças, marinheiros e soldados das bravas forças federais e outras pessôas gravemente feridas, - com exceção de policiais! - no momento em que o escritor falava, aclamado pela multidão, da sacada do Diario de Pernambuco. Era natural que ouvissemos a respeito. Disse-nos o entrevistado:

- "Preferia não falar no assunto, tão viva está ainda em mim a impressão da cena de extrema covardia que foi o ataque da policia armada até os dentes aos estudantes, aos intelectuais, á grande multidão que participou confiante e desprevenida do primeiro meeting a favor da candidatura Eduardo Gomes e contra a continuação da Ditadura. Ataque pela policia fardada e por empregados de repartições publicas como o porteiro do Museu do Estado, fantasiado de "operarios agradecidos ao Estado Novo". Esse porteiro foi apanhado atirando contra o povo por um oficial do Exercito e confessou tudo. Vi com meus proprios olhos varios guardas-civis atirando contra o povo, especialmente contra os estudantes. Eu começara a falar e recordava exatamente a frase celebre de Rui Barbosa que é mais ou menos esta: "diante disto, depois disto, não sei como comece" quando veio de rijo contra nós, que estavamos nas varandas do Diario, a segunda carga de balas policiais ou ditatoriais. Foi a mais forte. Mais de uma centena de tiros, calculam os observadores militares. Perto de mim tombou então, cumprindo seu destino de martir, a cabeça varada por uma bala ditatorial, o estudante Democrito de Sousa Filho, meu companheiro querido de estudos brasileiros e de luta anti-fascista, do grupo de estudantes da Faculdade de Direito com que mais tenho convivido nestes ultimos anos e que veem dando exemplos magnificos de inteligencia, de coragem, de dignidade não só aos mais moços como principalmente aos mais velhos. Principalmente aos seus mestres da velha Faculdade de Direito do Recife que acabam de se mostrar dignos de tão esplendidos discipulos denunciado em reunião memoravel a policia ditatorial como responsavel pela morte de Democrito e pela chacina de 3 de Março. Democrito era um adolescente alto, magro, louro, tipo Ulisses Pernambucano. Grande admirador de Castro Alves e de Nabuco. Catolico dos catolicos verdadeiramente cristãos. Um encanto de filho, de irmão, de amigo. Destemido era, entretanto, por temperamento, incapaz de provocar com insultos quem quer que fosse. Sua coragem era a de quem sabia resistir. Sua ação combativa de Catolico democrata se fazia sentir principalmente no artigo de jornal e no discurso em reuniões de estudantes. Na vespera do seu assassinato pela policia que obedece às ordens do atual Ministro da Justiça, Democrito, voltando à casa à noite, fôra agredido covardemente e ameaçado de morte por numeroso grupo de agentes de policia, dos mesmos que varias vezes nos seguiram quando ele e eu saiamos da minha casa de Apipucos, ha anos cercada ameaçadora e ostensivamente por tal gente. Ninguem no Recife ignora o fato. Não o ignora o sr. Ditador Getulio Vargas, a quem comuniquei sem pedido de providencias, é claro, pois não as solicitei nunca dos atuais poderosos do Brasil, esse e outros acintes da Gestapo brasileira em Pernambuco aos adversarios da Ditadura. As providencias talvez mandadas tomar pelo mesmo Sr. Getulio Vargas não foram jamais cumpridas pelo seu desde 1937 delegado de confiança em Pernambuco e para vergonha do Brasil inteiro, atual ministro da Justiça. O resultado de tal estado de coisas teria que ser esse meeting do dia 3 de Março acabado a bala. Acabado a bala da maneira mais traiçoeira, com duas mortes e numerosas pessoas feridas. Com o martirio que ha de ficar historico desse estudante admiravel que vi tombar a meu lado. Seus companheiros do Brasil inteiro e de todas as Americas livres ou ainda em luta contra as sobrevivencias nazistas não o esquecerão nunca".

Continuando, acentua o escritor:

- "Espero não vêr outra vez na vida cena igual á do dia 3 de Março. Os inimigos dos estudantes, dos intelectuais, dos operarios do povo, viram, porém, que mesmo quando absoluta sua vantagem material de gente armada até os dentes em luta contra a mocidade e o povo inteiramente desarmados, mocidade e o povo no Brasil não se acovardam diante dos seus assassinos. Quasi o Recife inteiro assistiu ao ataque da policia aos estudantes e ao povo sem armas. Assistiram-na varios oficiais do Exercito. Assistiram-no senhoras. Observadores estrangeiros notaram com espanto que desde o Largo da Faculdade, antes mesmo de mover-se a passeata que arrastou um oceano de gente, começaram a agir os agentes provocadores da policia sem que os estudantes perdessem a calma. Calma que não significava covardia, pois, em face dos tres furiosos ataques da policia ao povo e aos estudantes, vi, estando no meio deles, que se portaram heroicamente. Uso a palavra heroicamente passando-a bem sem exagero nenhum. Tenho orgulho de ser amigo desses rapazes. Eles é que são hoje os mestres e os mais velhos, seus discipulos. Repito-lhe porem: é preciso que não haja outros sacrificios como Democrito. Nem outros sacrificios como o de 3 de Março de 1945 no Recife. O Brasil precisa de que os moços vivam e não apenas morram por eles. É preciso que a Ditadura, esta sim, se deixe sem demora morrer em vez de querer caprichosamente alongar sua existencia perniciosa matando na flor da idade brasileiros como Democrito de Souza Filho. Sou dos que acreditam na inteligencia do sr. Getulio Vargas e a teem proclamado. Por algum tempo tive relações pessoais - politicas, nunca - com o mesmo Sr. Getulio Vargas. Recebi dele atenções, inclusive, como o sr. Ditador ha de estar lembrado, convite saído dos seus proprios labios para "alto posto na administração" que um dos secretarios do Catete, o sr. Mauro Freitas, me dissera antes de minha entrevista com seu chefe que seria o Ministerio da Educação e Saúde. Recusei o convite por motivos de que o Sr. Getulio Vargas talvez não esteja esquecido. Menciono o fato para confirmar que fui distinguido com atenções excepcionais pelo Sr. Vargas que tambem referiu-se varias vezes com altos elogios ao meu trabalho intelectual. Varias vezes convesármos sobre assuntos intelectuais. Falou-me certo dia do seu primeiro artigo: uma defesa de Emile Zola. Porque houve tempo em que o Sr. Getulio Vargas foi estudante, foi moço e escreveu em defesa dos escritores democraticos. Na ultima vez em que nos avistàmos, insistiu ele em que seria possivel, breve, minha colaboração com seu governo no "interesse publico", no "interesse do Brasil". Vê-se que sou dos que poderiam ter "feito carreira" sob a Ditadura. Sem motivos para despeito, tenho algum conhecimento do Sr. Getulio Vargas. E estou no dever de dizer-lhe agora, com toda a nitidez e franqueza, que não retarde o fim da Ditadura; que se retire quanto antes para sua fazenda de São Borja; que confie o Brasil aos moços, aos homens de trabalho e de estudo, áqueles brasileiros honestos e capazes que a Ditadura, por sua natureza mesmo, se viu obrigado a despresar ou a perseguir. Áqueles cuja colaboração em cargos de confiança do Ditador ou dos sub ditadores foi impossivel pois aviltaria os colaboradores. Utilizou-se por isso a Ditadura de 37 de gente apenas aventureira ou servil ou quando muito, velhaca ou esperta em promover seus interesses pessoais. Gente desleal com o proprio Ditador. É tempo de nos livrarmos de tal gente e de semelhante regime.

Corre no Recife, que a bala que matou Democrito de Sousa Filho se destinava a Gilberto Freyre. Tambem chegam a ouvidos de amigos seus noticias de que tendo falhado o assassinato a bala, no meeting do dia 3, se planeja agora seu assassinato segundo velha tecnica fascista de mistificação do publico, isto é, por meio de "atropelamento de automovel" ou "ataque de ladrões" á sua residencia. O escritor porém está calmo. Interrogado por nós responde simplesmente que sua vida está entregue a Deus. É o cristão que fala. E o autor de Casa Grande & Senzala é profundamente cristão. Continuará, diz-nos ele, a sua luta. Cumprirá o que lhe parece seu dever ao lado dos seus amigos, principalmente dos seus amigos estudantes e da gente do povo, os dois elementos que ao seu vêr são "o sal do Brasil".

Despedimo-nos de Gilberto Freyre, hoje tão intimamente da Baía, de São Paulo, do Ceará, do Rio Grande do Sul, do Rio, do Pará, de Alagôas, do Brasil inteiro quanto de Pernambuco. Sua mesa de trabalho está cheia de telegramas de amigos e companheiros de lutas de toda a parte, solidarios com ele e clamando contra o assassinato do jovem Democrito. Varios são da Baía. Lemos palavras veementes de Pedro Lago. Do Rio um dos telegramas mais cheios de indignação contra a façanha sinistra da Ditadura policial é o do leader catolico sr. Alceu Amoroso Lima. Outro telegrama expressivo é o de Caio Prado Junior. Vem de São Paulo e diz: "trago-lhe com companheiros compromisso empenharmo-nos ainda mais luta comum contra Ditadura restabelecimento Democracia. Saudamos efusivamente heroicos companheiros pernambucanos juntos continuaremos grande jornada redenção nosso pais". Em São Paulo a Gestapo da Ditadura no mesmo dia 3 de Março de 1945 tentou, para reprimir a vontade popular no Brasil, a mesma mistificação que em Recife, procurando fazer crer aos ingenuos que os "operarios" estavam contra os estudantes. Torpesa pura. Como si os burocratas gordamente pagos para serem chefes dos "sindicatos" policiais fossem de fato operarios! Em São Paulo como em Pernambuco, no Rio e na Baía, atitude de homens como Caio Prado Junior e Gilberto Freyre como Jorge Amado e José Lins do Rego, que representam a mais avançada inteligencia brasileira ligada á causa da redenção do nosso pais pela democracia social, mostra que mais do que nunca estudantes e operarios, intelectuais e povo estão unidos no Brasil contra a opressão e as explorações do fascismo e da Ditadura que nos avilta. Como diz Gilberto Freyre, "estamos empenhados todos numa campanha que é maior do que a da Abolição".



Fonte: FREYRE, Gilberto. Uma campanha maior que a da abolição. Recife: União dos Estudantes de Pernambuco, 1945. 24p.

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