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Assinatura de Gilberto Freyre
Cronologia  



1900

Nasce no Recife, em 15 de março, na antiga Estrada dos Aflitos (hoje Avenida Rosa e Silva), esquina de Rua Amélia (o portão da hoje residência da família Costa Azevedo está assinalado por uma placa), filho do Dr. Alfredo Freyre - educador, Juiz de Direito e catedrático de Economia Política da Faculdade de Direito do Recife - e Francisca de Mello Freyre.

1906

Tenta fugir de casa, abrigando-se na materna Olinda, desde então, cidade muito de seu amor e da qual escreveria, em 1939, o 2° Guia Prático, Histórico e Sentimental.

1908

Entra no Jardim da Infância do Colégio Americano Gilreath. Lê as Viagens de Gulliver com entusiasmo. Não consegue aprender a escrever, fazendo-se notar pelos desenhos. Toma aulas particulares com o pintor Telles Júnior, que reclama contra sua insistência em deformar os modelos. Começa a aprender a ler e escrever em inglês com Mr. Williams, que elogia seus desenhos.

1909

Primeira experiência da morte: a da avó materna, que muito o mimava por supor ser o neto retardado, pela dificuldade em aprender a escrever. Temporada no Engenho São Severino do Ramo, pertencente a parentes seus. Primeiras experiências rurais de menino de engenho. Mais tarde escreverá sobre essa temporada uma de suas melhores páginas, incluída em Pessoas, Coisas & Animais.

1911

Primeiro verão na praia de Boa Viagem, onde escreve um soneto camoniano e enche muitos cadernos com desenhos e caricaturas.

1913

Dá as primeiras aulas no Colégio. Lê José de Alencar, Machado de Assis, Gonçalves Dias, Castro Alves, Victor Hugo, Emerson, Longfellow, alguns dramas de Shakespeare, Milton, César, Virgílio, Camões e Goethe.

1914

Ensina Latim, que aprendeu com o próprio pai, conhecido humanista recifense. Toma parte ativa nos trabalhos da sociedade literária do colégio. Torna-se redator-chefe do jornal impresso do colégio: O Lábaro.

1915

Lições particulares de Francês com Madamme Meunieur. Lê La Fontaine, Pierre Loti, Molière, Racine, Dom Quixote, a Bíblia, Eça de Queiroz, Antero de Quental, Alexandre Herculano, Oliveira Martins.

1916

Corresponde-se com o jornalista paraibano Carlos Dias Fernandes, que o convida a proferir palestra na capital do Estado vizinho. Como o Dr. Freyre não apreciava Carlos Dias Fernandes, pela vida boêmia que levava, viaja autorizado pela mãe e lê no Cine-Teatro Pathé sua primeira conferência pública, dissertando sobre Spencer e o problema da educação no Brasil. O texto foi publicado no jornal O Norte, com elogios de Carlos Dias Fernandes.

Influenciado pelos mestres do colégio, tanto quanto pela leitura do Peregrino de Bunyan e de uma biografia do Dr. Livingstone, toma parte em atividades evangélicas e visita a gente miserável dos mucambos recifenses. Interessa-se pelo socialismo cristão, mas lê como uma espécie de antídoto a seu misticismo, autores como Spencer e Comte.

Eleito presidente do Clube de Informações Mundiais, fundado pela Associação Cristã de Moços do Recife. Lê ainda, nesse período, Rui Barbosa, Joaquim Nabuco, Oliveira Lima, Nietzche, Sainte-Beuve.

1917

Conclui o curso de Bacharel em Ciências e Letras do Colégio Americano Gilreath, fazendo-se notar pelo discurso que profere como orador da turma, cujo paraninfo é o historiador Oliveira Lima, desde então seu amigo (ver referência ao primeiro encontro com Oliveira Lima no prefácio à edição de suas Memórias, escrito a convite da viúva e do editor José Olympio). Leitura de Taine, Renan, Darwin, Von Ihering, Anatole France, William James, Bergson, Santo Tomás de Aquino, Santo Agostinho, São João da Cruz, Santa Teresa, Padre Vieira, Padre Bernardes, Fernão Lopes, São Francisco de Assis, São Francisco de Sales, Tolstoi. Começa a estudar grego. Torna-se membro da Igreja Evangélica, desagradando a mãe e a família católica.

1918

Segue, no início do ano, para os Estados Unidos, fixando-se em Waco (Texas) para matricular-se na Universidade de Baylor. Começa a ler Stevenson, Pater, Newman, Steete e Addison, Lamb, Adam Smith, Marx, Ward, Giddings, Jane Austen, as Irmãs Bronte, Carlyle, Mathew Arnold, Pascal, Montaigne, Euclides da Cunha, Monteiro Lobato. Inicia sua colaboração no Diario de Pernambuco, com uma série de cartas intituladas "Da outra América".

1919

Ainda na Universidade de Baylor, auxilia o geólogo John Casper Branner no preparo do texto português da "Geologia do Brasil". Ensina francês a jovens oficiais norte-americanos convocados para a guerra. Estuda Geologia com Pace, Biologia com Bradbury, Economia com Wright, Sociologia com Dow, Psicologia com Hall, Literatura com A. J. Armstrong, professor de literatura e crítico literário especializado na filosofia e na poesia de Robert Browning. Escreve os primeiros artigos em inglês publicados por um jornal de Waco. Divulga suas primeiras caricaturas.

1920

Conhece pessoalmente, por intermédio do professor Armstrong, o poeta irlandês William Butler Yates (ver, no livro Artigos de jornal, um capítulo sobre este poeta), os "poetas novos" dos Estados Unidos: Vachel Lindsay, Amy Lowell e outros. Escreve em inglês um estudo sobre Amy Lowell. Como estudante de Sociologia, faz pesquisas sobre a vida dos negros de Waco e dos mexicanos marginais do Texas. Conclui, na Universidade de Baylor, o curso de Bacharel em Artes, mas não comparece à solenidade da formatura: contra as praxes acadêmicas, a Universidade envia-lhe o diploma por intermédio de um portador. Segue para Nova Iorque e ingressa na Universidade de Colúmbia. Lê Freud, Westermarck, Santayana, Sorel, Dilthey, Hrdlika, Keith, Rivet, Rivers, Hegel Le Play, Brunhes, Croce. Segundo notícia publicada no Diario de Pernambuco de 5 de junho, a Academia Pernambucana de Letras, por proposta de França Pereira, elege-o sócio-correspondente.

1921

Segue, na Faculdade de Ciências Políticas (inclusive as Ciências Sociais Judiciais) da Universidade de Colúmbia, cursos de graduação e pós-graduação dos professores Giddings, Seligman, Boas, Hayes, Carl van Doren, Fox, John Basset Moore e outros. Conhece pessoalmente Rabindranath Tagore e o Príncipe de Mônaco (depois reunidos no livro Artigos de jornal), Valle-Inclane outros intelectuais e cientistas famosos que visitam a Universidade de Colúmbia e a cidade de Nova Iorque. A convite de Amy Lowell, visita-a em Boston (ver, sobre essa visita, artigos incluídos no livro Vida, forma e cor). Segue, na Universidade de Colúmbia, o curso do Professor Zimmern, da Universidade de Oxford, sobre a escravidão na Grécia. Visita a Universidade de Harvard e o Canadá. É hóspede da Universidade de Princeton, como representante dos estudantes da América Latina que ali se reúnem em congresso. Lê Patrick Geddes, Ganivet, Max Weber, Maurras, Péguy, Pareto, Rickert, William Morris, Michelet, Barres, Huysmans, Verlaine, Rimbaud, Baudelaire, Dostoievski, John Done, Coleridge, Xenofonte, Homero, Ovídio, Ésquilo, Aristóteles, Ratzel. Torna-se editor-associado da revista El Estudiante Latino-Americano, publicada mensalmente em Nova Iorque pelo Comitê de Relações Fraternais entre Estudantes Estrangeiros. Publica diversos artigos no referido periódico.

1922

Defende tese para o grau de M.A. (Magister Artium ou Master of Arts) na Universidade de Colúmbia intitulada Social life in Brazil in the middle of the 19th Century, publicada em Baltimore pela Hispanic American Historical Review (v.5, n.4, nov. 1922) e recebida com elogios pelos professores Haring Shepherd, Robertson, Martin, por Oliveira Lima e H. L. Mencken, que aconselha o autor a expandir o trabalho em livro. Deixa de comparecer à cerimônia de formatura, seguindo imediatamente para a Europa, onde recebe o diploma, enviado pelo Reitor Nicholas Murray Butler. Visita a França, a Alemanha, a Bélgica, tendo antes estado na Inglaterra, demorando-se em Oxford. Demora na França, atravessa a Espanha e conhece Portugal, onde se demora. Lê Simmel, Poincaré, Havelock Ellis, Psichary, Rémy de Gourmont, Ranke, Bertrand Russel, Swinburne, Ruskin, Blake, Oscar Wilde, Kant, Gracian. Tem o retrato pintado pelo modernista brasileiro Vicente do Rego Monteiro. Convive com ele e com outros artistas modernistas brasileiros como Tarsila do Amaral e Brecheret. Na Alemanha conhece o Expressionismo, na Inglaterra, o ramo inglês do Imagismo, já seu conhecido nos Estados Unidos. Na França, o anarco-sindicalismo de Sorel e o federalismo monárquico de Maurras.

1923

Continua em Portugal, onde conhece João Lúcio de Azevedo, o Conde de Sabugosa, Fidelino de Figueiredo, Joaquim de Carvalho, Silva Gaio. Regressa ao Brasil e volta a colaborar no Diario de Pernambuco. Da Europa escreve artigos para a Revista do Brasil (São Paulo), a pedido de Monteiro Lobato.

1924

Reintegra-se no Recife, onde conhece José Lins do Rego, incitando-o a escrever romances, em vez de artigos políticos (ver referências ao encontro e início da amizade entre o sociólogo e o futuro romancista do "Ciclo da Cana-de-Açúcar" no prefácio que este escreveu para o livro Região e tradição). Funda-se no Recife, a 28 de abril o "Centro Regionalista do Nordeste", com Odilon Nestor, Amaury de Medeiros, Alfredo Freyre, Antônio Inácio, Morais Coutinho, Carlos Lyra Filho, Pedro Paranhos, Júlio Bello e outros. Excursões pelo interior do Estado de Pernambuco e pelo Nordeste com Pedro Paranhos, Júlio Bello (que a seu pedido escreveria as Memórias de um senhor de engenho) e seu irmão Ulysses Freyre. Lê, na capital do Estado da Paraíba conferência publicada no mesmo ano: "Apologia pro generatione sua" (incluída no livro Região e tradição).

1925

Encarregado pela direção do Diario de Pernambuco, organiza o livro comemorativo do primeiro centenário de fundação do referido jornal: Livro do Nordeste, onde foi publicado pela primeira vez o poema modernista de Manuel Bandeira "Evocação do Recife", escrito a seu pedido (ver referências no capítulo sobre Manuel Bandeira no livro Perfil de Euclydes e outros perfis). O Livro do Nordeste consagrou, ainda, o até então desconhecido pintor Manoel Bandeira e publica desenhos modernistas de Joaquim Cardozo e Joaquim do Rego Monteiro. Lê na Biblioteca Pública do Estado de Pernambuco uma conferência sobre Dom Pedro II, publicada no ano seguinte.

1926

Conhece a Bahia e o Rio de Janeiro, onde faz amizade com o poeta Manuel Bandeira, os escritores Prudente de Morais Neto (Pedro Dantas), Rodrigo M. F. de Andrade, Sérgio Buarque de Holanda, o compositor Villa-Lobos. Por intermédio de Prudente, conhece Pixinguinha, Donga e Patrício e se inicia na nova música popular brasileira em noitadas boêmias. Escreve um poema longo, modernista ou imagista e ao mesmo tempo regionalista e tradicionalista, do qual Manuel Bandeira dirá depois que é um dos mais saborosos do ciclo das cidades brasileiras: "Bahia de todos os santos e de quase todos os pecados" (publicado no Recife, no mesmo ano, em edição da Revista do Norte, reeditado, em 20 de junho de 1942, na revista O Cruzeiro e incluído no livro Talvez poesia). Segue para os Estados Unidos como delegado do Diario de Pernambuco ao Congresso Pan-Americano de Jornalistas. Convidado para redator-chefe do mesmo jornal e para oficial de gabinete do Governador eleito de Pernambuco, então vice-presidente da República. Colabora (artigos humorísticos) na Revista do Brasil com o pseudônimo de J. J. Gomes Sampaio. Publica-se no Recife a conferência lida, no ano anterior, na Biblioteca Pública do Estado de Pernambuco: "A propósito de Dom Pedro II" (edição da Revista do Norte; incluída, em 1944, no livro Perfil de Euclydes e outros perfis). Promove no Recife o 1º Congresso Brasileiro de Regionalismo.

1927

Assume o cargo de oficial de gabinete do novo Governador de Pernambuco, Estácio de Albuquerque Coimbra, casado com a prima de Alfredo Freyre, Joana Castelo Branco de Albuquerque Coimbra.

1928

Dirige, a pedido de Estácio Coimbra, o jornal A Província, onde passam a colaborar os escritores novos do Brasil. Publica no mesmo jornal artigos e caricaturas com diferentes pseudônimos: Esmeraldino Olímpio, Antônio Ricardo, Le Moine, J. Rialto e outros. Lê Proust e Gide. Nomeado pelo Governador Estácio Coimbra, por indicação do diretor A. Carneiro Leão, torna-se professor da Escola Normal do Estado de Pernambuco: primeira cadeira de Sociologia que se estabelece no Brasil com moderna orientação antropológica e pesquisas de campo.

1930

Acompanhando Estácio Coimbra ao exílio, visita novamente a Bahia, conhece parte do continente africano (Dacar, Senegal) e inicia, em Lisboa, as pesquisas e estudos em que se basearia Casa-grande & senzala ("Em outubro de 1930 ocorreu-me a aventura do exílio. Levou-me primeiro à Bahia: depois a Portugal, com escala pela África. O tipo de viagem ideal para os estudos e as preocupações que este ensaio reflete", como escreverá no prefácio do mesmo livro).

1931

A convite da Universidade de Stanford, segue para os Estados Unidos, como professor extraordinário daquela Universidade. Volta, no fim do ano, para a Europa, demorando-se na Alemanha, em novos contatos com seus museus de antropologia, de onde regressa ao Brasil.

1932

Continua, no Rio de Janeiro, as pesquisas para a elaboração de Casa-grande & senzala, em bibliotecas e arquivos. Recusando convites para empregos que lhe foram feitos pelos membros do novo governo brasileiro - um deles José Américo de Almeida - vive, então, com grandes dificuldades financeiras, hospedando-se em casas de amigos e em pensões baratas do Distrito Federal. Estimulado pelo seu amigo Rodrigo M. F. de Andrade, contrata com o poeta Augusto Frederico Schmidt - então editor - a publicação do livro por 500 mil reis mensais, que recebe com irregularidades constantes. Regressa ao Recife, onde continua a escrever Casa-grande & senzala, na casa do seu irmão Ulysses Freyre.

1933

Conclui o livro, enviando os originais ao editor Schmidt, que o publica em dezembro.

1934

Aparecem em jornais do Rio de Janeiro os primeiros artigos sobre Casa-grande & senzala, escritos por Yan de Almeida Prado, Roquette Pinto, João Ribeiro e Agrippino Grieco, todos elogiosos. Organiza no Recife o 1º Congresso de Estudos Afro-Brasileiros. Recebe o prêmio da Sociedade Felipe d'Oliveira pela publicação Casa-grande & senzala. Lê na mesma Sociedade conferência sobre "O escravo nos anúncios de jornal do tempo do Império", publicada na revista Lanterna Verde (v. 2 fev. 1935). Regressa ao Recife e lê, no dia 24 de maio, na Faculdade de Direito e a convite de seus estudantes, conferência publicada, no mesmo ano, pela Editora Momento: "O estudo das ciências sociais nas universidades americanas". Publica-se no Recife (Oficinas Gráficas The Propagandist, edição de amigos do autor, tiragem de apenas 105 exemplares em papel especial e coloridos a mão por Luís Jardim) o Guia prático, histórico e sentimental da cidade do Recife, inaugurando, em todo o mundo, um novo estilo de guia de cidade, ao mesmo tempo lírico e informativo e um dos primeiros livros para bibliófilos publicados no Brasil.

1935

A pedido dos alunos da Faculdade de Direito do Recife e por designação do Ministro da Educação, inicia na referida escola superior um curso de Sociologia com orientação antropológica e ecológica. Segue, em setembro, para o Rio de Janeiro, onde, a convite de Anísio Teixeira, dirige na Universidade do Distrito Federal o primeiro curso de Antropologia Social e Cultural da América Latina (ver texto das aulas no livro Problemas brasileiros de antropologia). Publica-se no Recife (Edições Mozart) o livro Artigos de jornal. Profere, a convite de estudantes paulistas de Direito, no Centro XI de Agosto, da Faculdade de Direito de São Paulo, a Conferência "Menos Doutrina mais Análise", tendo sido saudado pelo estudante Osmar Pimentel.

1936

Publica-se no Rio de Janeiro (Companhia Editora Nacional, volume 64 da coleção Brasiliana) o livro que é uma continuação da série iniciada com Casa-grande & senzala: Sobrados e mucambos. Viagem à Europa, demorando-se na França e em Portugal.

1937

Mais uma viagem à Europa, desta vez como delegado do Brasil ao Congresso de Expansão Portuguesa no Mundo, reunido em Lisboa. Lê conferências nas Universidades de Lisboa, Coimbra e Porto e na de Londres (King's College), publicadas no Rio de Janeiro no ano seguinte. Regressa ao Recife e lê conferência política no Teatro Santa Isabel, a favor da candidatura de José Américo de Almeida à presidência da República. A convite de Paulo Bittencourt, inicia colaboração semanal no Correio da Manhã. Publica-se no Rio de Janeiro (José Olympio) o livro Nordeste (aspectos da influência da cana sobre a vida e a paisagem do Nordeste do Brasil).

1938

Nomeado membro da Academia Portuguesa de História pelo presidente Oliveira Salazar. Segue para os Estados Unidos como lente extraordinário da Universidade de Colúmbia, onde dirige seminário sobre Sociologia e História da Escravidão. Publica-se no Rio de Janeiro (Serviço Gráfico do Ministério da Educação e Saúde) o livro Conferência na Europa.

1939

Primeira viagem ao Rio Grande do Sul. Segue, depois para os Estados Unidos, como professor extraordinário da Universidade de Michigan. Publica-se no Rio de Janeiro (José Olympio) a primeira edição do livro Açúcar e no Recife (edição do autor, para bibliófilos) Olinda, 2º guia prático, históricoe sentimental de cidade brasileira. Publica-se em Nova Iorque (Instituto de las Españas en los Estados Unidos) O Escritor do historiador Lewis Hanke, Gilberto Freyre, vida y obra.

1940

A convite do Governo português, lê no Gabinete Português de Leitura do Recife a conferência (publicada no Recife, no mesmo ano, em edição particular) "Uma cultura ameaçada: a luso-brasileira" Lê em Aracaju, na instalação da 2º Reunião da Sociedade de Neurologia, Psiquiatria e Higiene Mental do Nordeste, conferência publicada no ano seguinte pela mesma sociedade. Lê no dia 29 de outubro, na Biblioteca do Ministério das Relações Exteriores e a convite da Casa do Estudante do Brasil, conferência sobre Euclides da Cunha, publicada no ano seguinte. Lê no dia 19 de novembro, na Biblioteca do Estado do Rio Grande do Sul, conferência por ocasião dascomemorações do bicentenário da cidade de Porto Alegre, publicada em 1943. Toma parte no 3º Congresso Sul-Rio-grandense de História e Geografia, ao qual apresenta, a pedido do historiador Dantede Laytano, o trabalho "Sugestões para o estudo histórico-social do sobrado no Rio Grande do Sul", publicado no mesmo ano pela editora Globo e incluído, posteriormente, no livro Problemas brasileiros de antropologia. Publica-se em Nova Iorque (Columbia University Press) o opúsculo Some aspects of the social development on Portuguese America, separata dO Escritor coletiva Concerning Latin American culture. Publicam-se no Rio de Janeiro (José Olympio) os livros Um engenheiro francês no Brasil e O mundo que o Português criou, com longos prefácios, respectivamente, de Paul Arbousse Bastide e Antônio Sérgio. Prefacia e anota o Diário íntimo do engenheiro Vauthier, publicado no mesmo ano pelo Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.

1941

Casa-se no Mosteiro de São Bento do Rio de Janeiro com a senhorita Maria Magdalena Guedes Pereira. Viagem ao Uruguai, Argentina e Paraguai. Torna-se colaborador de La Nación (Buenos Aires), dos Diarios Associados, do Correio da Manhã e de A Manhã (Rio de Janeiro). Prefacia e anota as Memórias de um Cavalcanti, do seu parente Félix Cavalcanti de Albuquerque Melo, publicadas pela Companhia Editora Nacional (volume 196 da coleção Brasiliana). Publica-se no Recife (Sociedade de Neurologia, Psiquiatria e Higiene Mental do Nordeste) a conferência "Sociologia, Psicologia e Psiquiatria", depois expandida e incluída no livro Problemas brasileiros de antropologia e contribuição para uma Psiquiatria social brasileira que seria destacada pela Sorbonne ao doutourá-lo H.C. Publica-se no Rio de Janeiro (Casa do Estudante do Brasil) e em Buenos Aires, a conferência "Atualidade de Euclydes da Cunha" (incluída, em 1944, no livro Perfil de Euclydes e outros perfis). Ao ensejo da publicação, no Rio de Janeiro (José Olympio), do livro Região e tradição, recebe homenagem de grande número de intelectuais brasileiros, com um almoço no Jóquei Clube, em 26 de junho, do qual foi orador o jornalista Dario de Almeida Magalhães.

1942

É preso no Recife, por ter denunciado, em artigo publicado no Rio de Janeiro, atividades nazistas e racistas no Brasil, inclusive as de um padre alemão a quem foi confiada, pelo governo do Estado de Pernambuco, a formação de jovens escoteiros. Juntamente com seu pai, reage à prisão, quando levado para "a imunda Casa de Detenção do Recife", sendo solto, no dia seguinte, por interferência direta do seu amigo General Góes Monteiro. Recebe convite da Universidade de Yale para ser professor de Filosofia Social, que não pôde aceitar. Profere, no Rio de Janeiro, discurso como padrinho de batismo de avião oferecido pelo jornalista Assis Chateaubriand ao Aeroclube de Porto Alegre. É eleito para o Conselho Consultivo da American Philosophical Association. É designado pelo Conselho da Faculdade de Filosofia da Universidade de Buenos Aires "Adscrito Honorário" de Sociologia e eleito membro correspondente da Academia Nacional de História do Equador. Discursa no Rio de Janeiro, em nome do Sr. Samuel Ribeiro, doador do avião Taylor à campanha de Assis Chateaubriand. Publica-se em Buenos Aires (Comisión Revisora de Textos de História y Geografia Americana) a primeira edição de Casa-grande & senzala em espanhol, com introdução de Ricardo Saenz Hayes. Publicam-se no Rio de Janeiro (José Olympio) o livro Ingleses e a segunda edição de Guia prático, histórico e sentimental da cidade do Recife. A Casa do Estudante do Brasil divulga, em segunda edição, a conferência "Uma cultura ameaçada: a luso-brasileira", proferida no Gabinete Português de Leitura do Recife(1940).

1943

Visita a Bahia, a convite dos estudantes de todas as escolas superiores do Estado, que lhe prestam excepcionais homenagens, às quais se associa quase toda a população de Salvador. Lê na Faculdade de Medicina da Bahia, a convite da União dos Estudantes Baianos, conferências: "Em torno de uma classificação sociológica" e no Instituto Histórico da Bahia, por iniciativa da Faculdade de Filosofia do mesmo Estado, a conferência "A propósito da Filosofia Social e suas relações com a Sociologia Histórica" (ambas incluídas, juntamente com os discursos proferidos nas homenagens recebidas na Bahia, no livro Na Bahia em 1943, que teve quase toda a sua tiragem apreendida, nas livrarias do Recife, pela Polícia do Estado de Pernambuco). Recusa, em carta altiva, o convite que recebeu para ser Catedrático de Sociologia da Universidade do Brasil. Inicia colaboração no O Estado de S. Paulo em 30 de setembro. Por intermédio do Itamaraty. recebe convite da Universidade de Harvard para ser seu professor, que também recusa. Publicam-se em Buenos Aires (Espasa-Calpe Argentina) as primeiras edições, em espanhol, de Nordeste e de Uma cultura ameaçada e a segunda, na mesma língua, de Casa-grande & senzala. Publicam-se no Rio de Janeiro (Casa do Estudante do Brasil) o livro Problemas brasileiros de antropologia e o opúsculo Continente e Ilha (conferência lida, em Porto Alegre, no ano de 1940 e incluída na segunda edição de Problemas brasileiros de antropologia). Publica-se também, no Rio de Janeiro ( Livros de Portugal ) uma edição de As Farpas, de Ramalho Ortigão e Eça de Queiroz, selecionadas e prefaciadas por ele, bem como a 4ª edição de Casa-grande & senzala, livro publicado a partir deste ano, pelo editor José Olympio.

1944

Visita Alagoas e Paraíba, a convite de estudantes desses Estados. Lê na Faculdade de Direito de Alagoas conferência sobre Ulysses Pernambucano, publicada no ano seguinte. Deixa de colaborar nos Diarios Associados e em La Nación, em virtude da violação e extravio constantes de sua correspondência. Em 9 de junho de 1944, comparece à Faculdade de Direito do Recife, a convite dos alunos dessa escola, para uma manifestação de regozijo em face da invasão da Europa pelos exércitos aliados. Lê em Fortaleza a conferência "Precisa-se do Ceará". Segue para os Estados Unidos, onde lê, na Universidade do Estado de Indiana, 6 conferências promovidas pela Fundação Patten e publicadas no ano seguinte, em Nova Iorque, no livro Brazil: an interpretation. Publicam-se no Rio de Janeiro os livros Perfil de Euclydes e outros perfis (José Olympio), Na Bahia em 1943 (edição particular) e a segunda edição do guia Olinda. A Casa do Estudante do Brasil publica, no Rio de Janeiro, o livro Gilberto Freyre, de Diogo Melo Menezes, com prefácio consagrador de Monteiro Lobato.

1945

Toma parte ativa, ao lado dos estudantes do Recife, na campanha pela candidatura do Brigadeiro Eduardo Gomes à presidência da República. Fala em comícios, escreve artigos, anima os estudante na luta contra a Ditadura. No dia 3 de março, por ocasião do primeiro comício daquela campanha no Recife, começa a discursar, na sacada da redação do Diario de Pernambuco, quando tomba a seu lado, assassinado pela Polícia Civil do Estado, o estudante de Direito Demócrito de Sousa Filho. A UDN oferece, em sua representação na futura Assembléia Nacional Constituinte, um lugar aos estudantes do Recife e estes preferem que seu representante seja o bravo escritor. A Polícia Civil do Estado de Pernambuco empastela e proíbe a circulação do Diario de Pernambuco, impedindo-o de noticiar a chacina em que morreram o estudante Demócrito e um popular. Com o jornal fechado, o retrato de Demócrito é inaugurado na redação, com memorável discurso de Gilberto Freyre: "Quiseram matar o dia seguinte" (cf. Diario de Pernambuco 10 abr. 1945). Em 9 de junho, comparece à Faculdade de Direito do Recife, como orador oficial da sessão contra a Ditadura. Publicam-se no Recife (União dos Estudantes de Pernambuco) o opúsculo de sua autoria em apoio à candidatura Eduardo Gomes: Uma campanha maior do que a da Abolição e a conferência lida, no ano anterior, em Maceió: Ulysses. Publica-se em Fortaleza (edição do autor) O Escritor Gilberto Freyre e alguns aspectos da antropossociologia no Brasil, de autoria do médico Aderbal Sales. Publica-se em Nova Iorque (Knopf) o livro Brazil: an interpretation.

1946

Eleito deputado federal, segue para o Rio de Janeiro, a fim de tomar parte nos trabalhos da Assembléia Constituinte. Em 17 de junho, profere discurso de críticas e sugestões ao projeto da Constituição, publicado em opúsculo: "Discurso pronunciado na Assembléia Nacional Constituinte" (incluido na 2ª edição do livro Quase política). Em 22 de junho lê no Teatro Municipal de São Paulo, a convite do Centro Acadêmico "XI deAgosto", conferência publicada no mesmo ano pela referida organização estudantil: "Modernidade e modernismo na arte política" (incluída, em 1965, no livro 6 conferências em busca de um leitor). Em 16 de julho, lê na Faculdade de Direito de Belo Horizonte, a convite de seus alunos, conferência publicada no mesmo ano: "Ordem, liberdade, mineiridade" (incluída em 1965, no livro 6 conferências em busca de um leitor). Em agosto inicia colaboração no Diário Carioca. Em 29 de agosto, profere na Assembléia Constituinte outro discurso de crítica ao projeto da Constituição (incluído na 2ª edição do livro Quase política). Em novembro, a Comissão de Educação e Cultura da Câmara dos Deputados indica, com aplauso do escritor Jorge Amado, membro da Comissão, o nome de Gilberto Freyre para o Prêmio Nobel de Literatura de 1947, com o apoio de numerosos intelectuais brasileiros. Publica-se no Rio de Janeiro a 5ª edição de Casa-grande & senzala e em Nova Iorque (Knopf) a edição do mesmo livro em inglês: The masters and the slaves.

1947

Apresenta à Mesa da Câmara dos Deputados, para ser dado como lido, discurso sobre o centenário de nascimento de Joaquim Nabuco, publicado no ano seguinte. Em 22 de maio, lê no auditório da Associação Brasileira de Imprensa, a convite da Sociedade dos Amigos da América, conferência sobre Walt Witman, publicada no ano seguinte. Trabalha ativamente na Comissão de Educação e Cultura da Câmara dos Deputados. Convidado para representar o Brasil no 19? . Congresso dos P.E.N. Clubes mundiais, reunido em Zurique. Publica-se em Londres a edição inglesa de The masters and the slaves, em Nova Iorque a segunda impressão de Brazil: an interpretation e no Rio de Janeiro, a edição brasileira deste livro em tradução de Olívio Montenegro: Interpretação do Brasil (José Olympio). Publica-se em Montevidéu O Escritor Gilberto Freyre y la sociología brasileña, de Eduardo J. Couture.

1948

A convite da Unesco, toma parte, em Paris, no conclave de 8 notáveis cientistas e pensadores sociais (Gurvitch, Allport, Sullivan, entre eles) reunidos pela referida organização das Nações Unidas por iniciativa do então diretor Julian Huxley para estudar as "Tensões que afetam a compreensão internacional": trabalho em conjunto depois publicado em inglês e francês. Lê, no Ministério das Relações Exteriores, a convite do Instituto Brasileiro de Educação, Ciência e Cultura (Comissão nacional da Unesco) conferência sobre o conclave de Paris. Repete na Escola do Estado-Maior do Exército a conferência lida noMinistério da Relações Exteriores.

Inicia em 18 de setembro sua colaboração no O Cruzeiro. Em dezembro, profere na Câmara dos Deputados discurso justificando a criação do Instituto Joaquim Nabuco de Pesquisas Sociais, com sede no Recife (incluído na 2ª edição do livro Quase política). Lê no Museu de Arte de São Paulo duas conferências: uma sobre Emílio Cardoso Ayres e outra sobre Dona Veridiana Prado. Lê mais uma conferência na Escola do Estado-Maior do Exército. Publicam-se no Rio de Janeiro (José Olympio) o livro Ingleses no Brasil e os opúsculos O camarada Whitman (incluído, em 1965, no livro 6 conferências em busca de um leitor), Joaquim Nabuco (incluído, em 1966, na 2ª edição do livro Quase política) e Guerra, paz e ciência (este editado pelo Ministério das Relações Exteriores). Inicia sua colaboração no Diario de Notícias.

1949

Segue para os Estados Unidos, a fim de tomar parte, na categoria de ministro como delegado parlamentar do Brasil, na 4ª Conferência Internacional da Organização das Nações Unidas. Lê conferências na Universidade Católica da América (Washington, D.C.) e na Universidade de Virgínia. Lê em 12 de abril, na Associação de Cultura Franco-Brasileira do Recife, conferência sobre Emílio Cardoso Ayres (apenas pequeno trecho foi publicado no Bulletin da Associação). Em 18 de agosto, lê na Faculdade de Direito do Recife conferência sobre Joaquim Nabuco, na sessão comemorativa do centenário de nascimento do estadista pernambucano (incluída no livro Quase política). Em 30 de agosto, profere, na Câmara dos Deputados, discurso de saudação ao Visconde Jowitt, presidente da Câmara dos Lordes do Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte (incluído em Quase política). No mesmo dia, lê no Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro conferência sobre Joaquim Nabuco. Publica-se, no Rio de Janeiro (José Olympio), a conferência lida no ano anterior, na Escola de Estado-Maior do Exército: Nação e Exército (incluída, em 1965, no livro 6 conferências em busca de um leitor).

1950

Profere na Câmara dos Deputados, em 17 de janeiro, discurso sobre o pernambucano Joaquim Arcoverde, primeiro cardeal da América Latina, por ocasião da passagem do primeiro centenário de seu nascimento (incluído em Quase política). Profere na Câmara dos Deputados, em 5 de abril, discurso sobre o centenário de nascimento de José Vicente Meira de Vasconcelos, constituinte de 1891 (incluído em Quase política). Profere na Câmara dos Deputados, em 28 de abril, discurso de "definição de atitude na vida pública" (incluído em Quase política). Profere na Câmara dos Deputados, em 2 de maio, discurso sobre o centenário da morte de Bernardo Pereira de Vasconcelos (incluído em Quase política). Profere na Câmara dos Deputados, em 2 de junho, discurso contrário à emenda parlamentarista (incluído em Quase política). Profere na Câmara dos Deputados, em 26 dejunho, discurso no qual transmite apelo que recebeu de três parlamentares ingleses, em favor de um governo supranacional (incluído em Quase política). Profere na Câmara dos Deputados, em 8 de agosto, discurso sobre o centenário de nascimento de José Mariano (incluído em Quase política). Profere no Parque 13 de maio, do Recife, discurso em favor da candidatura do deputado João Cleofas de Oliveira ao Governo do Estado de Pernambuco (incluído na 2ª ed. de Quase política). Em 11 de setembro inicia colaboração diária no Jornal Pequeno, do Recife, sob o título "Linha de fogo" em prol da candidatura João Cleofas ao Governo do Estado de Pernambuco. Profere, em 8 de novembro, na Câmara dos Deputados, discurso de despedida por não ter sido reeleito para o período seguinte (incluído na 2ª ed. de Quase política). Publica-se em Urbana (University of Illinois Press) O Escritor coletiva Tensions that cause wars, contendo as contribuições dos 8 cientistas sociais reunidos pela Unesco, em Paris, no ano de 1948. Contribuição de Gilberto Freyre : "Internationalizing Social Sciences". Publicam-se no Rio de Janeiro (José Olympio) a primeira edição do livro Quase política e a sexta de Casa-grande & senzala.

1951

Publicam-se no Rio de Janeiro (José Olympio) as seguintes edições de Nordeste e de Sobrados e mucambos (esta refundida e acrescida de 5 novos capítulos). A convite na Universidade de Londres, escreve, em inglês, estudo sobre a situação do professor no Brasil, publicado, no mesmo ano, pelo Year Book of Education. Publica-se em Lisboa (livros do Brasil) a edição portuguesa de Interpretação do Brasil.

1952

Lê na sala dos capelos da Universidade de Coimbra, em 24 de janeiro, conferência publicada, no mesmo ano, pela Coimbra Editora: Em torno de um novo conceito de tropicalismo. Publica-se em Ipswich (Inglaterra) o opúsculo editado pela revista Progress de Londres com o seu ensaio: Human factors behind Brazilian development. Publica-se no Recife (Edições Região) o Manifesto regionalista de 1926. Publica-se no Rio de Janeiro (Serviço de Documentação do Ministério da Educação e Cultura) o opúsculo José de Alencar e (José Olympio) a 7ª edição de Casa-grande & senzala. Publica-se em Paris (Gallimard) a primeira edição de Casa-grande & senzala. em francês feita pelo professor Roger Bastide, com prefácio de Lucien Febvre: Maitres et esclaves (volume 4 da coleção La Croix du Sud, dirigida por Roger Caillois). Viagem a Portugal e às províncias ultramarinas. Em 16 de abril inicia colaboração no Diario Popular de Lisboa. Inicia colaboração no Jornal do Commercio do Recife.

1953

Publicam-se no Rio de Janeiro (José Olympio) os livros Aventura e Rotina (escrito durante a viagem a Portugal e às províncias luso-afro-asiáticas, "à procura das constantes portuguesas de caráter e ação") e Um brasileiro em terras portuguesas (contendo conferências e discursos proferidos em Portugal e nas províncias ultramarinas, com longa "Introdução a uma possível luso-tropicologia").

1954

Escolhido pela Comissão das Nações Unidas para o estudo da Situação Racial na União Sul-Africana, como o antropólogo de qualquer país mais capaz de opinar sobre essa situação, visita o referido país e apresenta à Assembléia Geral da ONU um estudo por ela publicado no mesmo ano: Elimination des conflits et tensions entre les races. Publica-se no Rio de Janeiro a 8ª edição de Casa-grande & senzala, no Recife (Edições Nordeste) o opúsculo Um estudo do prof. Aderbal Jurema e em Milão (Fratelli Bocca), a primeira edição, em italiano, de Interpretazione del Brasile. Em agosto é encenada no Teatro Santa Isabel a dramatização de Casa-grande & senzala, feita por José Carlos Cavalcanti Borges. O professor Moacir Borges de Albuquerque defende, em concurso para provimento efetivo de uma das cadeiras de Português do Instituto de Educação de Pernambuco, tese sobre Linguagem de Gilberto Freyre.

1955

Lê no Colégio Estadual de Pernambuco, em outubro, por ocasião de instalação do curso de treinamento de professores rurais do mesmo Estado, conferência publicada no ano seguinte. Publica-se no Rio de Janeiro (Edições Condé) o livro para bibliófilos, com ilustrações de Lula Cardoso Ayres, Assombrações do Recife velho. Publicam-se no Rio de Janeiro (Serviço de Documentação do MEC) o opúsculo Reinterpretando José de Alencar e a segunda edição do Manifesto regionalista de 1926.

1956

Lê na sessão inaugural do 4º Congresso Brasileiro de Neurologia, Psiquiatria e Higiene Mental, conferência sobre "Aspectos da moderna convergência médico-social e antropo-cultural" (incluída na 2ª ed. de Problemas brasileiros de antropologia). Em 15 de maio, profere no encerramento do curso de treinamento de professores rurais do Estado de Pernambuco, discurso publicado no ano seguinte. Comparece, como um dos quatro conferencistas principais (os outros foram o alemão von Wreie, o inglês Ginsberg,o francês Davy) e na alta categoria de convidado especial, ao 3º Congresso Mundial de Sociologia, realizado em Amsterdam e no qual apresenta a comunicação, publicada em Louvain, no mesmo ano, pela Associação Internacional de Sociologia: Morals and social change. Para discutir Casa-grande & senzala, e outras obras e idéias e métodos de Gilberto Freyre reúnem-se em Cerisy-LaSalle, os escritores e professores M. Simon, R. Bastide, G. Gurvitch, Leon Bourdon, Henri Gouhier, Jean Duvignaud, Tavares Bastos, Clara Mauraux, Nicolas Sombart, Mário Pinto de Andrade: talvez a maior homenagem já prestada na Europa a um intelectual brasileiro, os demais seminários de Cerisy tendo sido dedicados a filósofos da História, como Toynbeee Heidegger. Publicam-se no Recife (Secretaria de Educação e Cultura) os opúsculos Sugestões para uma nova política no Brasil: a rurbana (incluído, em 1966, na 2ª edição de Quase política) e Em torno da situação do professor no Brasil. Publica-se em Nova Iorque (knopf) a segunda edição, em inglês, de Casa-grande & senzala: The masters and the slaves. Publica-se em Paris (Gallimard) a primeira edição de Nordeste em francês: Terres du sucre (vol. 14 da coleção La Croix du Sud, dirigida por Roger Caillois).

1957

Lê, em 4 de agosto, na Escola de Belas Artes da Universidade Federal de Pernambuco, em solenidade comemorativa do 25º aniversário de fundação daquela escola, conferência publicada no mesmo ano: Arte, ciência social e sociedade. Dirige, em outubro, curso sobre Sociologia da Arte na mesma escola. Volta a colaborar no Diario Popular de Lisboa, atendendo a insistentes convites do seu diretor, Francisco da Cunha Leão. Publicam-se no Recife os opúsculos Palavras às professoras rurais do Nordeste (Secretaria de Educação e Cultura do Estado de Pernambuco) e Importância para o Brasil dos institutos de pesquisa científica (Instituto Joaquim Nabuco de Pesquisas Sociais); no Rio de Janeiro (José Olympio) a 2ª edição de Sociologia; no México (Editorial Cultural) o opúsculo A experiência portuguesa no trópico americano; em Lisboa (Livros do Brasil) a primeira edição portuguesa de Casa-grande & senzala e O Escritor Gilberto Freyre's "Luso-tropicalism", de autoria de Paul V. Shaw (Centro de Estudos Políticos e Sociais da Junta de Investigações do Ultramar).

1958

Lê no Fórum "Roberto Simonsen" conferência publicada no mesmo ano pelo Centro e Federação das Indústrias do Estado de São Paulo: "Sugestões em torno de uma nova orientação para as relações intranacionais no Brasil". Publica-se em Lisboa (Centro de Estudos Políticos e Sociais da Junta de Investigações do Ultramar) o livro, com texto em português e inglês, Integração portuguesa nos trópicos / Portuguese integration in the tropics. Publica-se no Rio de Janeiro (José Olympio) a 9ª edição brasileira de Casa-grande & senzala.

1959

Lê, em abril, conferências no Instituto Joaquim Nabuco de Pesquisas Sociais, iniciando e concluindo cursos de ciências sociais promovidos pelo referido órgão. Em julho, lê na Faculdadede Direito da Universidade Federal de Minas Gerais conferência publicada pela mesma Universidade no ano seguinte. Publica-se em Nova Iorque (Knopf) New world in the tropics, cujo texto contém, grandemente expandido e praticamente reescrito, o livro (publicado em 1945 pelo mesmo editor) Brazil: an interpretation; na Guatemala (Editorial de Ministério de Educación Pública "José de PinedaIbarra") o opúsculo En torno a algunas tendencias actuales de la antropologia; no Recife (Arquivo Público do Estado de Pernambuco) o opúsculo A propósito de Morão, Rosa e Pimenta; sugestões em torno de uma possível hispanotropicologia; no Rio de Janeiro (José Olympio) a primeira edição do livro Ordem e progresso (terceiro volume da série Introdução à história da sociedade patriarcal no Brasil, iniciada com Casa-grande & senzala, continuada com Sobrados e mucambos e a ser concluída com Jazigos e covas rasas, este ainda em preparo) e O velho Félix e suas Memórias de um Cavalcanti ( que é a segunda edição, aumentada, da introdução ao livro Memórias de um Cavalcanti, publicado em 1940); em Salvador (Universidade da Bahia) o livro A propósito de frades e o opúsculo Em torno de alguns túmulos afro-cristãos de uma área africana contagiada pela cultura brasileira; e em São Paulo ( Instituto Brasileiro de Filosofia) o ensaio A filosofia da história do Brasil nO Escritor de Gilberto Freyre, de autoria de Miguel Reale.

1960

Viaja pela Europa, nos meses de agosto e setembro, lendo conferências em universidades francesas, alemãs, italianas e portuguesas. Publica-se em Lisboa (Livros do Brasil) o livro Brasis, Brasil e Brasília; em Belo Horizonte (Edições da Revista Brasileira de Estudos Políticos) a conferência Uma política transnacional de cultura para o Brasil de hoje; no Recife (Imprensa Universitária) o opúsculo Sugestões em torno do Museu de Antropologia do Instituto Joaquim Nabuco de Pesquisas Sociais; e no Rio de Janeiro (José Olympio) a 3ª edição do livro Olinda.

1961

Em 24 de fevereiro, recebe em sua casa de Apipucos a visita do escritor norte-americano Arthur Schlesinger Júnior, assessor e enviado especial do Presidente John F. Kennedy. Em 20 de abril, profere na Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Pernambuco uma conferência sobre "Homem, cultura e trópico" iniciando as atividades do Instituto de Antropologia Tropical, criado naquela Faculdade por sugestão sua. Em 25 de abril é filmado e entrevistado em sua residência pela equipe de televisão e cinema do "Columbia Broadcasting System". Em junho viaja aos Estados Unidos, onde faz conferências no Conselho Americano de Sociedades Científicas, no Centro de Corning, no Centro de Estudos de Santa Bárbara e nas Universidades de Princeton e Columbia. De volta ao Brasil, recebe, em agosto, a pedido da Comissão Educacional dos Estados Unidos da América no Brasil (Comissão Fulbright), para uma palestra informal sobre problemas brasileiros, os professores norte-americanos que participam do II Seminário de Verão promovido pela referida Comissão. Em outubro, lê no Instituto Joaquim Nabuco de Pesquisas Sociais, quatro conferências sobre "Sociologia da vida rural." Ainda em outubro e a convite dos corpos docente e discente da Escola de Engenharia da Universidade Federal de Pernambuco, lê na mesma escola três conferências sobre "Três engenharias inter-relacionadas: a Física, a Social e a chamada Humana."Viaja a São Paulo e lê, em 27 de outubro, no auditório da Academia Paulista de Letras, sob os auspícios do Instituto Hans Staden, conferência intitulada "Como e porque sou sociólogo". No dia 1 de novembro, lê no auditório da ABI e sob os auspícios do Instituto Cultural Brasil-Alemanha, conferências sobre "Harmonias e desarmonias na formação brasileira". Em dezembro, segue para a Europa, demorando três semanas na Alemanha Ocidental, para tomar parte, como representante do Brasil, no encontro germano-hispânico de sociólogos. Publica-se em Tóquio (Ministério da Agricultura do Japão, série de "Guias para os emigrantes em países estrangeiros") a edição japonesa de New world in the tropics: Atsuitai no sin sekai. Publica-se em Lisboa (Comissão Executiva das Comemorações do V Centenário da Morte do Infante Dom Henrique) - em português, francês e inglês - o livro O luso e o trópico: Les portugais et les tropiques e The Portuguese and the tropics (edições separadas). Publica-se no Recife (Imprensa Universitária) o livro Sugestões de um novo contato com universidades européias; no Rio de Janeiro (José Olympio) a terceira edição brasileira de Sobrados e mucambos e a 10ª edição brasileira (11ª em língua portuguesa) de Casa-grande & senzala.

1962

Em fevereiro, a Escola de Samba de Mangueira desfila, no Carnaval do Rio de Janeiro, com enredo inspirado por Casa-grande & Senzala. Em março é escolhido presidente do Comitê de Pernambuco do Congresso Internacional para a Liberdade da Cultura. Em 10 de junho, lê no Gabinete Português de Leitura do Rio de Janeiro, a convite da Federação das Associações Portuguesas do Brasil, conferência publicada, no mesmo ano, pela referida entidade: O Brasil em face das Áfricas negras e mestiças. Em agosto, reúne-se em Porto Alegre o 1º Colóquio de EstudosTeuto-Brasileiros, organizado por sugestão sua. Ainda em agosto é admitido pelo Presidente da República como Comandante do corpo de graduados da Ordem do Mérito Militar. Por iniciativa do Banco Inter-Americano de Desenvolvimento, o professor Leopoldo Castedo profere em Washington, D.C., no curso "Panorama da Civilização Ibero-americana" conferência sobre "La valorización del tropicalismo en Freyre". Em outubro, torna-se editor-associado do Journal of Inter-American Studies. Em novembro, dirige na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra um curso de seis lições sobre Sociologia da História. Ainda na Europa, lê conferências em universidades da França, da Alemanha Ocidental e da Espanha. Em 19 de novembro recebe o grau de Doutor honoris causa pela Faculdade de Letras de Coimbra. Publicam-se no Rio de Janeiro (José Olympio) os livros Talvez poesia e Vida, forma e cor, a 2ª edição de Ordem e progresso e a terceira de Sociologia; em São Paulo (Livraria Martins Editora) o livro Arte, ciência e trópico; em Lisboa (Livros do Brasil) as edições portuguesas de Aventura e rotina e de Um brasileiro em terras portuguesas. Publica-se no Rio de Janeiro (José Olympio) O Escritor coletiva Gilberto Freyre: sua ciência, sua filosofia, sua arte (ensaios sobre o autor de Casa-grande & senzala e sua influência na moderna cultura do Brasil, comemorativos do 25º aniversário da publicação desse seu livro).

1963

Em 10 de junho, inaugura-se no Teatro Santa Isabel do Recife uma exposição sobre Casa-grande & senzala, organizada pelo colecionador Abelardo Rodrigues. Em 20 de agosto, o Governo de Pernambuco promulga a Lei estadual nº 4.666, de iniciativa do deputado Paulo Rangel Moreira, que autoriza a edição popular, pelo mesmo Estado, de Casa-grande & senzala. Publica-se em The American Scholar, Chapel Hill (United Chapters of Phi Beta Kappa e University of North Caroline) o ensaio On the Iberian concept of time. Publica-se em Nova Iorque (Knopf) a edição de Sobrados e mucambos em inglês, com introdução de Frank Tannenbaum: The mansionsand the shanties; the making of modern Brazil; em Washington, D.C. (Pan American Union) o livro Brazil; em Lisboa, a 2ª edição do opúsculo O Brasil em face das Áfricas negras e mestiças; em Paris (Diogène) o opúsculo Americanism and latinity America (em inglês e francês); em Brasília (Editora Universidade de Brasília) a 12ª edição brasileira de Casa-grande & senzala (13ª em língua portuguesa) e no Recife (Imprensa Universitária) o livro O escravo nos anúncios de jornais brasileiros do século XIX (reedição muito aumentada da conferência lida, em 1935, na Sociedade Felipe d'Oliveira). O Professor Thomas John O'Halloran apresenta à Graduate School of Arts and Science, da New York University, dissertação sobre The life and master writings of Gilberto Freyre.

1964

A convite do Governo do Estado de Pernambuco, lê na Escola Normal do mesmo Estado, em 13 de maio, conferência como orador oficial da solenidade comemorativa do centenário de fundação daquela Escola. Recebe em Natal, em julho, as homenagens da Fundação José Augusto pelo 30º aniversário da publicação de Casa-grande & senzala. Recebe, em setembro, o Prêmio Moinho Santista para Ciências Sociais. Viaja aos Estados Unidos e participa, em dezembro, como conferencista convidado, do seminário latino-americano promovido pela Universidade de Colúmbia. Publica-se em Nova Iorque (Knopf) uma edição abreviada (Paperback) de The masters and the slaves. Publica-se em Madri (separata da Revista de la Universidadde Madrid) o opúsculo De lo regional a lo universal en la interpretación de los complejos socioculturales; no Recife (Instituto Joaquim Nabuco de Pesquisas Sociais), em tradução deWaldemar Valente, a tese universitária de 1922, Vida social no Brasil nos meados do século XIX e o opúsculo (Imprensa Universitária) o Estado de Pernambuco e expressão no poder nacional: aspectos de um assunto complexo; no Rio de Janeiro (José Olympio) a "semi-novela" Dona Sinhá e o filho padre, o livro Retalhos de jornais velhos (2ª edição, consideravelmente ampliada, de Artigos de jornal), opúsculo (Superintendência do Plano de Valorização Econômica da Amazônia) A Amazônia brasileira e uma possível luso-tropicologia e a 11ª edição brasileira de Casa-grande & senzala. Recusa convite do Presidente Castelo Branco para ser Ministro da Educação e Cultura.

1965

Viagem a Campina Grande, onde lê, em 15 de março, na Faculdade de Ciências Econômicas, a conferência (publicada no mesmo ano pela Universidade Federal da Paraíba Como e porque sou escritor. Toma parte no Simpósio sobre Problemática Universidade Federal de Pernambuco (março/abril), com uma conferência sobre a conveniência de introdução na mesma Universidade, de "Um novo tipo de seminário (Tannenbaum)". Viagem ao Rio de Janeiro, onde recebe, em cerimônia realizada no auditório de O Globo, diploma com o qual o referido jornal homenageou, no seu 40º aniversário, a vida e O Escritor dos "Notáveis do Brasil": brasileiros vivos que, "por seu talento e capacidade de trabalho de todas as formas invulgares, tenham tido uma decisiva participação nos rumos da vida brasileira, ao longo dos quarenta anos conjuntamente vividos". Em 9 de novembro, gradua-se, in absentia,Doutor pela Universidade de Paris (Sorbonne), em solenidade na qual também foram homenageados outros sábios de categoria internacional, em diferentes campos do saber, sendo a consagração por obra que vinha abrindo "novos caminhos à filosofia e às ciências do homem". A consagração cultural pela Sorbonne juntou-se à recebida das Universidades da Colúmbia e de Coimbra e às quais se juntaram as de Sussex (Inglaterra) e Münster(Alemanha), em solenidade prestigiada por nove magníficos reitores alemães. Publica-se em Berlim (Kiepenheur & Witsch) a primeira edição de Casa-grande & senzala em alemão: Herrenhans und Sklavenhutte; ein bild der Brasihanischen gesellschaft. Publica-se no Recife (Imprensa Oficial do Estado de Pernambuco) o opúsculo Forças Armadas e outras forças; e no Rio de Janeiro (José Olympio) o livro 6 conferências em busca de um leitor.

1966

Viagem ao Distrito Federal, a convite da Universidade de Brasília, onde lê, em agosto, seis conferências sobre Futurologia, assunto que foi o primeiro a desenvolver no Brasil. Por solicitação das Nações Unidas, apresenta ao "United Nations Human Rights Seminaron Apartheid" (realizado em Brasília, de 23 de agosto a 5 de setembro) um trabalho de base sobre "Race mixture and cultural interpenetration: theBrazilian example", distribuído na mesma ocasião em inglês, francês, espanhol e russo. Por sugestão sua, funda-se na Universidade Federal de Pernambuco o Seminário de Tropicologia, de caráter interdisciplinar e inspirado pelo seminário do mesmo tipo, iniciado na Universidade de Colúmbia pelo professor Frank Tannenbaum. Publica-se em Barnet, Inglaterra Universidade de Colúmbia pelo The racial factor in contemporary politics; no Recife (Governo do Estado de Pernambuco) o primeiro tomo da 14ª edição brasileira (15ª em língua portuguesa) de Casa-grande & senzala (edição popular, para ser vendida a baixo preço, de acordo com a Lei estadual nº 4.666, de 20 de agosto de1963); e no Rio de Janeiro (José Olympio) a 13ª edição do mesmo livro.

1967

Em 30 de janeiro, lançamento solene, no Palácio do Governo do Estado de Pernambuco, do primeiro volume da edição popular de Casa-grande & senzala. Em julho, viagem aos Estados Unidos, para receber, no Instituto Aspen de Estudos Humanísticos, o Prêmio Aspen do ano (30000 dólares e isento de imposto sobre a renda) "pelo que há de original, excepcional e de valor permanente em sua obra ao mesmo tempo de filósofo, escritor literário e antropólogo". Recebe o "Nobel dos Estados Unidos" na presença de Embaixador, enviado especial do Presidente Lyndon B. Johnson que se congratula com Gilberto Freyre pela honraria na qual foi precedido por apenas três notabilidades internacionais: o compositor Benjamin Britten, a dançarina Martha Grahame o urbanista Constantino Doxiadis por obras reveladoras de "criatividade genial". Em dezembro, lê na Academia Brasileira de Letras, no Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e no Instituto Joaquim Nabuco de Pesquisas Sociais, conferências sobre Oliveira Lima, em sessões solenes comemorativas do centenário de nascimento daquele historiador (expandidas no livro Oliveira Lima, Don Quixote gordo). Publica-se em Lisboa (Fundação Calouste Gulbenkian) o livro Sociologia da medicina; em Nova Iorque (Knopf) a tradução da "semi-novela" Dona Sinhá e o filho padre: Mother and son, a Brazilian tale; no Recife (Instituto Joaquim Nabuco de Pesquisas Sociais) a 2ª edição de Mucambos do Nordeste e a 3ª edição do Manifesto regionalista de 1926; em SãoPaulo (Arquimedes Edições) o livro O Recife, sim! Recife,não! e no Rio de Janeiro ( José Olympio) a 4ª edição de Sociologia.

1968

Em 9 de janeiro, lê no Palácio do Governo do Estado de Pernambuco a primeira da série de conferências promovidas pelo Governador do Estado para comemorar o centenário de nascimento de Oliveira Lima (incluída no livro Oliveira Lima, Don Quixote gordo, publicado no mesmo ano pela Imprensa Universitária do Recife). Viagem à Argentina e conferência sobre Oliveira Lima na Universidade de Rosário. Viagem à Alemanha Ocidental, onde recebe o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade de Münster por suO Escritor comparada à de Balzac. Publica-se em Lisboa (Academia Internacional da Cultura Portuguesa) o livro em 2 volumes, Contribuição para uma sociologia da biografia: o exemplo de Luiz de Albuquerque, governador de Mato Grosso no fim do século XVIII. Publica-se no Distrito Federal (Editora Universidade de Brasília) o livro Como e porque sou e não sou sociólogo; e no Rio de Janeiro (Gráfica Record Editora) as segundas edições dos livros Região e tradição e Brasis, Brasil e Brasília. Ainda no Rio de Janeiro, publica-se (José Olympio) as quartas edições dos livros Guia prático, histórico e sentimental da cidade do Recife e Olinda, 2º Guia prático, histórico e sentimental de cidade brasileira.

1969

Recebe o Prêmio Internacional de Literatura "La Madoninna" por "incomparável agudeza literária na descrição de problemas sociais, conferindo-lhes calor humano e otimismo, bondade e sabedoria", através de umO Escritor de "fulgurações geniais". Lê conferência, no Conselho Federal de Cultura, em sessão dedicada à memória de Rodrigo M. F. de Andrade. A UniversidadeFederal de Pernambuco lança os dois primeiros volumes do Seminário de Tropicologia, relativos ao ano de 1966: Trópico & Colonização, Nutrição, Homem, Religião, Desenvolvimento, Educação e Cultura, Trabalho e Lazer, Culinária, População. Lê, no Instituto Joaquim Nabuco de Pesquisas Sociais, quatro conferências sobre "Tipos antropológicos no romance brasileiro". Publica-se no Recife (Instituto Joaquim Nabuco de Pesquisas Sociais) o ensaio Sugestões em torno da ciência e da arte da pesquisa social; e no Rio de Janeiro (José Olympio) a 15ª edição brasileira de Casa-grande & senzala.

1970

Completa setenta anos de idade residindo na província e trabalhando como se fosse um intelectual ainda jovem: escrevendo livros, colaborando em jornais e revistas nacionais e estrangeiros, dirigindo cursos, proferindo conferências, presidindo o Conselho Diretor e animando as atividades do Instituto Joaquim Nabuco de Pesquisas Sociais, presidindo o Conselho Estadual de Cultura, dirigindo o Centro Regional de Pesquisas Educacionais e o Seminário de Tropicologia da Universidade Federal de Pernambuco, comparecendo às reuniões mensais do Conselho Federal de Cultura e atendendo a convites de universidades européias e norte-americanas, onde é sempre recebido como o embaixador intelectual do Brasil.

1971

Recebe a 26 de novembro, em solenidade realizada no Gabinete Português de leitura, do Recife, e tendo como paraninfo o Ministro Mário Gibson Barbosa, o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade Federal de Pernambuco. Discursa como orador oficial da solenidade de inauguração, pelo Presidente Emílio Médici, do Parque Nacional dos Guararapes, no Recife. A Rainha Elizabeth lhe confere o título de Sir (Cavaleiro Comandante do Império Britânico) e a Universidade Federal do Rio de Janeiro o grau de Doutor Honoris Causa em Filosofia. Publica-se a primeira edição da Seleta para jovens (José Olympio) e O Escritor Nós e a Europa germânica (Grifo Edições). Continua a receber visitas de estrangeiros ilustres na sua casa de Apipucos, devendo-se destacar as de Embaixadores do Reino Unido, França, E.U.A., Bélgica e as de Aldous Huxley, Georges Gurvitch, Shelesky, John dos Passos, Jean Revignaud, Lincoln Gordon, Robert Kennedy, a quem oferece jantar a pedido desse visitante.

1972

Preside o Primeiro Encontro Inter-regional de Cientistas Sociais do Brasil, realizado em Fazenda Nova, Pernambuco, de 17 a 20 de janeiro sob os auspícios do Instituto Joaquim Nabuco de Pesquisas Sociais. Recebe o título de Cidadão de Olinda que lhe foi conferido por Lei Municipal nº 3.774, de 8 de março de 1972. Recebe, em sessão solene da Assembléia Legislativa do Estado de Pernambuco, a medalha Joaquim Nabuco, que lhe foi conferida pela Resolução nº 871,de 28 de abril de 1972. Em 14 de junho profere no Instituto Joaquim Nabuco de Pesquisas Sociais palestra sobre José Bonifácio. Profere no Instituto Joaquim Nabuco de Pesquisas Sociais as duas primeiras conferências da série comemorativa do centenário de Estácio Coimbra. Inaugura-se na praia de Boa Viagem, no Recife, em 15 de dezembro, o Hotel Casa-Grande & Senzala.

1973

Recebe em São Paulo o "Troféu Novo Mundo", por "obras notáveis em Sociologia e História" e o "Troféu Diários Associados" pela "maior distinção anual em Artes Plásticas". Exposições de telas de sua autoria na Galeria Portal de São Paulo, os 40 trabalhos tendo sido adquiridos em duas horas. Uma exposição foi precedida de duas outras, uma no Recife, outra no Rio, esta na residência do casal José Maria do Carmo Nabuco, com apresentação de Alfredo Arinos de Mello Franco. Por decreto do Presidente E. G. Médici, é reconduzido ao Conselho Federal de Cultura. Viagem a Angola, em fevereiro. Em maio expõe naGaleria Portal, de São Paulo. A 10 de maio, a convite da Assembléia Legislativa do Estado de Pernambuco, profere discurso no Cemitério de Santo Amaro, diante do túmulo de Joaquim Nabuco, comemorativo do Sesquicentenário do Poder Legislativo no Brasil. Recebe em setembro, em João Pessoa, o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade Federal da Paraíba. Profere na Câmarados Deputados, em 29 de novembro, conferência sobre "Atuação do Parlamento no Império e na República", na série comemorativa do Sesquicentenário do Poder Legislativo noBrasil. Profere na Universidade de Brasília palestra em inglês para o corpo diplomático, sob o título de "Some remarks on how and why Brazil is different". Em 13 de dezembro é operado pelo prof. Euríclides de Jesus Zerbini, no Hospital da Beneficência Portuguesa de São Paulo.

1974

Recebe em São Paulo o troféu Novo Mundo conferido pelo Centro de Artes Novo Mundo. Sua primeira exposição de pintura em São Paulo: 40 telas adquiridas imediatamente. A 15 de março, o Instituto Joaquim Nabuco de Pesquisas Sociais comemora com exposição e sessão solene, os 40 anos da publicação de Casa-grande & senzala. Em 20 de julho profere no Instituto Joaquim Nabuco de Pesquisas Sociais conferência sobre "Importância dos retratos para os estudos biográficos: o caso de Joaquim Nabuco". A 29 de agosto a Universidade Federal de Pernambuco inaugura no saguão da Reitoria uma placa comemorativa dos 40 anos da Casa-grande & senzala. A 12 de outubro recebe a Medalha de Ouro José Vasconcelos, outorgada pela Frente de Afirnación Hispanista do México, para distinguir, cada ano,uma personalidade dos meios culturais hispano-americanos. O cineasta Geraldo Sarno realiza documentário de 5 minutos intitulado "Casa-grande & senzala" , de acordo com uma idéia de Aldous Huxley. O editor Alfred A. Knopf publica em Nova York O Escritor The Gilberto Freyre Reader.

1975

Diante da violência de uma enchente do rio Capibaribe, em 17 e 18 de julho, lidera com Fernando de Mello Freyre, diretor do Instituto Joaquim Nabuco, um movimento de estudo interdisciplinar sobre as enchentes em Pernambuco. Profere em 10 de outubro conferência no Clube Atlético Paulistano sobre "O Brasil como nação hispano-tropical". Recebe em 15 de outubro, do Sindicato dos Professores do Ensino Primário e Secundário de Pernambuco e da Associação dos Professores do Ensino Oficial, o título de Educador do Ano, por relevantes serviços prestados à comunidade nordestina no campo da Educação e da Pesquisa Social. Profere em 7 de novembro, no Teatro Santa Isabel, do Recife, conferência sobre o sesquicentenário do Diario de Pernambuco. O Instituto do Açúcar e do Álcool lança em 15 de novembro o Prêmio de Criatividade Gilberto Freyre, para os melhores ensaios sobre aspectos sócio-econômicos da zona canavieira do Nordeste. Publicam-se no Rio de Janeiro suas obras Tempo morto e outros tempos (José Olympio), O Brasileiro entre os outros hispanos (idem) e Presença do açúcar na formação brasileira (I.A.A.).

1976

Viaja à Europa em setembro, fazendo conferências em Madri (Instituto de Cultura Hispânica) e em Londres (Conselho Britânico). Homenageado com a esposa, em Londres, com banquete pelo Embaixador Roberto Campos e esposa (presentes vários dos seus amigos ingleses como Lord Asa Briggs). Em Paris, como hóspede do Governo francês, é entrevistado pelo sociólogo Jean Duvignaud, na Rádio e Televisão Francesas, sobre "Tendências atuais da cultura brasileira". Homenageado com banquete pelo diretor de Le Figaro, seu amigo o notável escritor e membro da Academia Francesa, Jean d'Ormesson, presentes Roger Caillois e outros intelectuais franceses. Em Viena, identifica mapas inéditos do Brasil no período holandês, existentes na Biblioteca Nacional da Áustria. Na Espanha, como hóspede do Governo, realiza no Instituto de Cultura Hispânica, presidido pelo Duque de Cadis. Em Lisboa é homenageado com banquete pelo Secretário de Estado de Cultura, presentes intelectuais, ministros, diplomatas. Em 7 de outubro, lê em Brasília, a convite do Ministro da Previdência Social, conferência de encerramento do Seminário sobre Problemas de Idosos. A Livraria José Olympio Editora publica as 16ª e 17ª edições brasileiras de Casa-grande & senzala e o IJNPS a 6ª edição do Manifesto regionalista, 2ª edição portuguesa de Lisboa de Casa-grande & senzala.

1977

A Livraria José Olympio Editora publica O outro amor do Dr. Paulo (Seminovela, continuação de Dona Sinhá e o filho padre). - Out. Publicação, pela Editora Nova Aguilar, dO Escritor Escolhida, na "Coleção Couro e Ouro". Estréia em janeiro no Nosso Teatro (Recife) a peça Sobrados e mucambos, adaptada por Hermílio Borba Filho e encenada pelo Grupo Vivencial. Recebe em fevereiro, do embaixador Michel Legendre, a faixa e as insígnias de Comendador das Artes e Letras da França. Profere em março, no Seminário de Tropicologia, conferência sobre "O Recife eurotropical". Profere na Câmara dos Deputados, em Brasília, conferência de encerramento do ciclo comemorativo do Bicentenário da Independência dos Estados Unidos. Exibição, na Biblioteca Municipal Mário de Andrade, de São Paulo, de um documentário cinematográfico sobre sua vida e obra - Da palavra ao desenho da palavra - com debates dos quais participam Freitas Marcondes, Leo Gilson Ribeiro, Osmar Pimentel e Egon Schaden. Profere conferência na Câmara dos Deputados, em Brasília, em 19 de agosto sobre "A Terra, o Homem e a Educação", no Seminário sobre Ensino Superior, promovido pela Comissão de Educação e Cultura. Profere conferência no Teatro José de Alencar de Fortaleza, em 24 de setembro, sobre "O Nordeste visto através do tempo". Lançamento em São Paulo, em 10 de novembro, do álbum Casas-grandes & senzalas, com guaches de Cícero Dias. Profere, no Arquivo Público Estadual de Pernambuco, conferência de encerramento do curso sobre o Sesquicentenário da Elevação do Recife à condição de Capital, sobre "O Recife e a sua autobiografia coletiva". Acolhido como sócio honorário do PEN Clube do Brasil. Inicia em outubro colaboração semanal na Folha de São Paulo. A Livraria José Olympio Editora publica O Outro Amor do Dr. Paulo, seminovela, continuação de Dona Sinhá e o filho Padre. A Editora Nova Aguilar publica, em dezembro, O Escritor Escolhida, volume em papel bíblia que inclui Casa-grande & senzala, Nordeste e Novo mundo nos Trópicos, com introdução de Antônio Carlos Villaça, Cronologia da Vida e dO Escritor e Bibliográfia Ativa e Passiva, por Edson Nery da Fonseca. A Editora Ayacucho publica em Caracas a 3ª edição em espanhol de Casa-grande & senzala, com introdução de Darcy Ribeiro. As Ediciones Cultura Hispánica publicam em Madri a edição em espanhol da Seteta para jovens, com título de Antologia. A editora Espasa-Calpe publica, em Madri, Mas allá de lo Moderno, com prefácio de Julián Marías. A Livraria José Olympio Editora publica a 5ª edição de Sobrados e mucambos e a 18ª edição brasileira de Casa-grande & senzala.

1978

Viagem a Caracas, para proferir três conferências no Instituto de Assuntos Internacionais do Ministério da Relações Exteriores da Venezuela. Abre no Arquivo Público Estadual, em 30 de março, ciclo de conferências sobre Escravidão e Abolição em Pernambuco, fazendo "Novas considerações sobre escravos em anúncios de jornal em Pernambuco". Profere conferência sobre "O Recife e sua ligação com estudos antropológicos no Brasil", na instalação da XI Reunião Brasileira de Antropologia, no auditório da Universidade Federal de Pernambuco, em 7 de maio. Em 22 de maio, abre em Natal a I Semana de Cultura do Nordeste. Profere em Curitiba, em 9 de junho, conferência sobre "O Brasil em nova perspectiva antropossocial", numa promoção da Associação dos Professores Universitários do Paraná. Profere em Cuiabá, em 16 de setembro, conferência sobre "A dimensão ecológica do caráter nacional". Profere na Academia Paulista de Letras, em 4 de dezembro, conferência sobre "Tropicologia e Realidade Social", abrindo o 1º Seminário Internacional de Estudos Tropicais da Fundação Escola de Sociologia e Política.Publicação dO Escritor Recife & Olinda, com desenhos deTom Maia e Thereza Regina. A Editora Nova Fronteira publica Alhos & bugalhos. A Editora Cátedra publica Prefácios desgarrados. A Ranulpho Editora de Arte publica Arte & ferro, com pranchas de Lula Cardoso Ayres. O Conselho Federal de Cultura publica Cartas do próprio punho sobre pessoas e coisas do Brasil e do estrangeiro. A Editora Gallinard publica a 14ª edição deMaítres et Esclaves, na coleção TEL. A Livraria Editora José Olympio publica a 19ª edição brasileira de Casa-grande & senzala. A Fundação Cultural do Mato Grosso publica a 2ª edição de Introdução a uma sociologia da biografia.

1979

O Arquivo Público Estadual de Pernambuco publica, em março, a edição fac-similar do Livro do Nordeste. Participa, no auditório da Biblioteca Municipal de São Paulo, em 30 de março, da Semana do Escritor Brasileiro. Recebe em Aracaju, em 17 de abril, o título de Cidadão Sergipano, outorgado pela Assembléia Legislativa de Sergipe. Homenageado pelo 44º Congresso Mundial de Escritores do PEN Clube Internacional, reunido no Rio de Janeiro, em julho, recebe a medalha Euclides da Cunha, sendo saudado pelo escritor Mário Vargas Llosa. Recebe o grau de Doutor Honoris Causa pela Faculdade de Ciências Médicas da Fundação do Ensino Superior de Pernambuco - Universidade de Pernambuco, em setembro. Viagem à Europa em outubro. Conferência na Fundação Calouste Gulbenkian, em 22 de outubro, sobre "Onde o Brasil começou a ser o que é". Abre o ciclo de conferências comemorativo do 20º aniversário da SUDENE, em dezembro, falando sobre "Aspectos Sociais do Desenvolvimento Regional". Recebe em dezembro o prêmio Caixa Econômica Federal, da Fundação Cultural do Distrito Federal, pelO Escritor Oh de Casa! Profere na Universidade de Brasília conferência sobre "Joaquim Nabuco: um novo tipo de político". A Editora Artenova publica Oh de Casa! A Editora Cultrix publica Heróis e vilões no romance brasileiro. A MPM Propaganda publica Pessoas, coisas & animais, em edição fora do comércio. A Editora IBRASA publica Tempo de aprendiz.

1980

Em 24 de janeiro, a Academia Pernambucana de Letras inicia as comemorações do seu octogésimo aniversário, com uma conferência de Gilberto Osório de Andrade sobre "Gilberto Freyre e o Trópico". Em 25 de janeiro, a CODEPE inicia seu Seminário Permanente de Desenvolvimento, dedicando-o ao estudo dO Escritor de Gilberto Freyre. O Arquivo Público Estadual comemora a efeméride, em 26 e 27 de fevereiro, com duas conferências de Edson Nery da Fonseca. Recebe em São Paulo, em 7 de março, a medalha de Ordem do Ipiranga, maior condecoração do Estado. Em 26 de março, recebe a medalha José Mariano, da Câmara Municipal do Recife. Por Decreto de 15 de abril, o Governador do Estado de Sergipe lhe confere o galardão de Comendador da Ordem do Mérito Aperipê. Missa cantada na concatedral de São Pedro dos Clérigos do Recife, mandada celebrar pelo Governo do Estado de Pernambuco, sendo oficiante Monsenhor Severino Nogueira e regente o Padre Jayme Diniz. Inauguração, na redação do Diario de Pernambuco, de placa comemorativa da colaboração de Gilberto Freyre, iniciada em 1918. Almoço na residência de Fernando Freyre. Open house na vivenda Santo Antônio. Sorteio de bilhete da Loteria Federal da Praça de Apipucos. Desfile de clubes e blocos carnavalescos e concentração popular em Apipucos. Sessão solene do Congresso Nacional, em 15 de abril, às 15 horas, destinada a homenagear o escritor Gilberto Freyre pelo transcurso do seu octogésimo aniversário. Discursos do Presidente, Senador Luis Viana Filho, dos Senadores Aderbal Jurema e Marcos Freire, e do deputado Thales Ramalho. Viagem a Portugal em junho, a convite da Câmara Municipal de Lisboa, para tomar parte nas comemorações do 4º centenário da morte de Camões. Conferência "A tradição camoniana ante insurgências e ressurgências atuais".

Homenageado, em 6 de julho, durante a 32ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, realizada no Rio de Janeiro. Homenageado, em 25 de julho, pelo XII Congresso Brasileiro de Língua e Literatura, promovido pelas universidades estaduais do Rio de Janeiro e Universidade Federal do Rio de Janeiro. Em 11 de agosto, recebe do embaixador Hansjorg Kastl a Grã-Cruz do Mérito da República Federativa da Alemanha. Ainda em agosto, homenageado pelo IV Seminário Paraibano de Cultura Brasileira. Recebe o título de Cidadão Benemérito de João Pessoa, outorgado pela Câmara Municipal da capital paraibana. Recebe o título do sócio honorário do Instituto Histórico e Geográfico da Paraíba. Em 2 de setembro, homenageado pelo PEN Clube do Brasil com um painel sobre suas idéias, no auditório do Palácio da Cultura, Rio de Janeiro. Encenação, no Teatro São Pedro de São Paulo, da peça de José Carlos Cavalcanti Borges Casa-grande & senzala, sob a direção de Miroel Silveira, pelo grupo teatral da Escola de Comunicação e Artes da USP. Em 10 de outubro, conferência da Fundação Luisa e Oscar Americano, de São Paulo, sobre "Imperialismo Cultural do Conde Maurício". De 13 a 17 de outubro, Simpósio Internacional promovido pela Universidade de Brasília e pelo Ministério da Educação e Cultura, com a participação, como conferencistas, do historiador social inglês Lord Asa Briggs, do filósofo espanhol Julián Marías, do poeta e ensaísta português David Mourão-Ferreira, do antropólogo francês Jean Duvignaud e do historiador mexicano Sílvio Zavala. Recebe o prêmio Jabuti, de São Paulo, em 28 de outubro.

Recebe, em 11 de dezembro, o grau de Doutor Honoris Causa pela Universidade Católica de Pernambuco. Em 12 de dezembro, recebe o prêmio Moinho Recife. A Ranulpho Editora de Arte publica o álbum, Gilberto poeta: algumas confissões, com serigrafias de Aldemir Martins, Jenner Augusto, Lula Cardoso Ayres, Reynaldo Fonseca e Wellington Virgolino e posfácio de José Paulo Moreira da Fonseca. As Edições Pirata, do Recife, publicam Poesia reunida. A Editora José Olympio publica a 20a. edição brasileira de Casa-grande & senzala, com prefácio do Ministro Eduardo Portella. A Editora José Olympio publica a 5ª edição de Olinda. A Editora José Olympio publica a 3ª edição da Seleta para jovens. A Companhia Editora Nacional publica a 2ª edição de O Escravo nos anúncios de jornais brasileiros do Século XIX. A Editora José Olympio publica a 2ª edição brasileira de Aventura e rotina.

1981

A Classe de Letras da Academia de Ciências de Lisboa reúne-se, em fevereiro, para ouvir comunicação do escritor David Mourão-Ferreira sobre "Gilberto Freyre, criador literário". Encenação, em março, no Teatro Santa Isabel, da peça-ballet de Rubens Rocha Filho "Tempos perdidos, nossos tempos". Em 25 de março, recebe do embaixador Jean Beliard a rosette de Oficial da Légion d'Honneur. Inauguração de seu retrato, em 21 de abril, no Museu do Trem da Superintendência Regional da Rede Ferroviária Federal. Em 29 de abril, o Conselho Municipal de Cultura lança, no Palácio do Governo, um álbum de desenhos de sua autoria. Lançamento, em 7 de maio, no Museu Nacional da Quinta da Boa Vista, da edição quadrinizada de Casa-grande & senzala, numa promoção da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Museu Nacional e Editora Brasil-América. Profere conferência, em 15 de maio, no auditório Benício Dias da Fundação Joaquim Nabuco, sobre "Atualidade de Lima Barreto". Viagem à Espanha, em outubro, para tomar posse no Conselho Superior do Instituto de Cooperação Ibero-Americana, nomeado que foi pelo rei João Carlos I.

1982

Recebe em janeiro a medalha comemorativa dos 30 anos do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Profere na Academia Pernambucana de Letras conferência sobre "Luis Jardim Autodidata?", comemorativa do octogésimo aniversário do pintor e escritor pernambucano. Na abertura do III Congresso Afro-Brasileiro, em 20 de setembro, profere conferência no Teatro Santa Isabel. Em setembro, entrevistado pela Rede Bandeirantes de Televisão, no programa Canal Livre. Recebe do embaixador Javier Vallaure, na Embaixada da Espanha em Brasília, a Grã-Cruz de Alfonso, El Sabio (outubro). Profere no auditório do Palácio da Cultura, em 9 de novembro, conferência sobre "Villa-Lobos revisitado". Profere no Nacional Club de São Paulo, em 11 de novembro, conferência sobre "Brasil: entrepassados úteis e futuros renovados". A Editora Massangana publica Rurbanização: o que é?. A Editora Klett-Cotta, de Stuttgart, publica a primeira edição alemã de Das Landin der Stadt Die Entwicklung der urbanen Gesellschaft Brasiliens (Sobrados e mucambos) e a segunda de Herrenhaus und Sklavenhütte (Casa-grande & senzala).

1983

Iniciam-se em 21 de março - Dia Internacional das Nações Unidas contra a discriminação racial - as comemorações do cinqüentenário da publicação de Casa-grande & senzala, com sessão solene no auditório Benício Dias, presidida pelo Governador Roberto Magalhães e com a presença da Ministra da Educação, Esther de Figueiredo Ferraz, e do Diretor-Geral da Unesco, Amadou M'Bow, que lhe entrega a medalha "Homenagem da Unesco". Recebe em 15 de abril, da Associação Brasileira de Relações Públicas, Seção de Pernambuco, o Troféu Integração por destaque cultural de 1982. Em abril, expõe seus últimos desenhos e pinturas na Galeria Aloísio Magalhães. Viagem a Lisboa, em 25 de outubro, para receber, do Ministro dos Negócios Estrangeiros, a Grã-Cruz de Santi'lago da Espada. Em 27 de outubro, participa de sessão solene da Academia de Ciências de Lisboa e da Academia Portuguesa de História, comemorativa do cinqüentenário da publicação de Casa-grande & senzala. A Fundação Calouste Gulbenkian promove em Lisboa um ciclo de conferências sobre Casa-grande & senzala (2 de novembro a 4 de dezembro). Homenageado pela Feira Internacional do Livro do Rio de Janeiro, em 9 de novembro. O Seminário de Tropicologia reúne-se, em 29 de novembro, para ouvir conferência de Edson Nery da Fonseca, intitulada "Gilberto Freyre, Cultura e Trópico". Recebe em 7 de dezembro, no Liceu Literário Português do Rio de Janeiro, a Grã-Cruz da Ordem Camoniana. A Editora Massangana publica Apipucos: que há num nome?. A Editora Globo publica Insurgências e ressurgências atuais. A Editora Globo Médicos, doentes e contextos sociais (2ª edição de Sociologia da medicina).

1984

Lançamento, em 20 de janeiro, de selo postal comemorativo do cinqüentenário de Casa-grande & senzala. Viagem a Salvador, em 14 de março, para receber homenagem do Governo do Estado pelo cinqüentenário de Casa-grande & senzala. Inauguração, no Museu de Arte Moderna da Bahia, da exposição itinerante sobre O Escritor Conferência de Edson Nery da Fonseca sobre "Gilberto Freyre, Casa-grande & senzala e a Bahia". Convidado pelo Governador Tancredo Neves, profere em Ouro Preto, em 21de abril, o discurso oficial da Semana da Inconfidência. Profere em 8 de maio, na antiga Reitoria da UFRJ, conferência sobre "Alfonso X, O Sábio, ponte de culturas". Recebe da União Cultural Brasil-Estados Unidos, em 7 de junho, a medalha de merecimento por serviços relevantes prestados à aproximação entre o Brasil e os Estados Unidos. Em 8 de junho, profere conferência no Clube Atlético Paulistano sobre "Camões: vocação de antropólogo moderno?", promovida pelo Conselho da Comunidade Portuguesa de São Paulo. Em setembro de 1984, o Balé Studio Um realiza no Recife o espetáculo de dança Casa-grande & senzala, sob a direção de Eduardo Gomes e com música de Egberto Gismonti. Recebe a Medalha Picasso da Unesco, desenhada por Juan Miró em comemoração do centenário do pintor espanhol. Em setembro, homenageado por Richard Civita no Hotel 4 Rodas de Olinda, com banquete presidido pelo Governador Roberto Magalhães e entrega de passaportes para o casal se hospedar em qualquer hotel da rede. Participa na arquidiocese do Rio de Janeiro, em outubro, do Congresso Internacional de Antropologia e Praxis, debatedor do tema Cultura e redenção, desenvolvido por Dom Paul Poupard. Homenageado no Teatro Santa Isabel do Recife, em 31 de novembro, pelo cinqüentenário do 1º Congresso Afro-Brasileiro, ali realizado em 1934.

1985

Recebe da Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (FUNDARPE) a Homenagem à Cultura Viva de Pernambuco, em 18 de março. Viaja em maio aos Estados Unidos, para receber, na Baylor University, o prêmio consagrador de notáveis triunfos (Distinguished Achievement Award). Profere em 21 de maio, na Harvard University, conferência sobre "My first contacts with American intellectual life", promovida pelo Departamento de Línguas e Literaturas Românicas e pela Comissão de Estudos Latino-Americanos e Ibéricos. Realiza exposição na Galeria Metropolitana Aloísio Magalhães do Recife: "Desenhos a cor: figuras humanas e paisagens". Recebe, em agosto, o grau de Doutor Honoris Causa em direito e em Letras pela Universidade Clássica de Lisboa. Nomeado em setembro, pelo Presidente da República, para compor a Comissão de Estudos Constitucionais. Recebe o título de Cidadão de Manaus, em 6 de setembro. Profere em 29 de outubro, conferência na inauguração do Instituto Brasileiro de Altos Estudos (IBRAE) de São Paulo, subordinada ao título "À beira do século XX". Em 20 de novembro, apresentação, no Cine Bajado, de Olinda, do filme de Kátia Mesel Oh de Casa!. Em dezembro viaja a São Paulo, sendo hospitalizado no INCOR para cirurgia de um divertículo de Zenkel (hérnia do esôfago). A Editora José Olympio publica a 7ª edição de Sobrados e mucambos e a 5ª edição de Nordeste.

1986

Em janeiro, submete-se no INCOR a uma cirurgia do esôfago para retirada de um divertículo de Zenkel. Regressa ao Recife em 16 de janeiro, exclamando: "agora estou em casa, meu Apipucos". Em 22 de fevereiro, volta a São Paulo para uma cirurgia de próstata no INCOR, realizada em 24 de fevereiro. Recebe em 24 de abril, em sua residência de Apipucos, do embaixador Bernard Dorin, a comenda de Grande Oficial da Legião de Honra, no grau de Cavaleiro. Em maio, recebe da EMPETUR o prêmio Cavalo-Marinho. Em agosto, recebe o título de Cidadão de Aracaju. Em 24 de outubro, reencontra-se no Recife com a dançarina Katherine Dunham. Em 28 de outubro é eleito para ocupar a cadeira 23 da Academia Pernambucana de Letras, vaga com a morte de Gilberto Osório de Andrade. Posse em 11 de dezembro na Academia Pernambucana de Letras. Recebe em 16 de dezembro o título de Pesquisador Emérito do Instituto de Pesquisas Sociais da Fundação Joaquim Nabuco. Publica-se em Budapeste a edição húngara de Casa-grande & senzala: Udvarház ès Szolga Szállás.

1987

Instituição, em 11 de março, da Fundação Gilberto Freyre. Em 30 de março, recebe em Apipucos a visita do Presidente Mário Soares. Em 7 de abril, submete-se no ENCOR do Hospital Português a uma cirurgia para introdução de marca-passo. Em18 de abril, Sábado Santo, recebe de Dom Basílio Penido O.S.B. os sacramentos da Reconciliação, da Eucaristia e dos Enfermos. Morre no Hospital Português, às 4 horas da madrugada de 18 de julho, aniversário de Madalena. Sepultamento no Cemitério de Santo Amaro, às 18 horas, discursando o Ministro Marcos Freire. Em 20 de julho, o Senador Afonso Arinos ocupa a tribuna da Assembléia Nacional Constituinte para prestar homenagem à sua memória. Em 19 de julho o jornal ABC de Madri publica um artigo de Julián Marías: "Adiós a un brasileño universal". Em 24 de julho, missas concelebradas, no Recife, por Dom José Cardoso Sobrinho e Dom Heber Vieira da Costa O.S.B., e em Brasília, por Dom Hildebrando de Melo e pelos vigários da Catedral e do Palácio da Alvorada. Coral da Universidade deBrasília. Missa mandada celebrar pelo Seminário de Tropicologia, sendo oficiante Dom Basílio Penido O.S.B., membro do Seminário, com canto gregoriano a cargo das Beneditinas de Santa Gertrudes, de Olinda. A Editora Record publica Modos de homem e modas de mulher e as segundas edições de Vida, forma e cor, assombrações do Recife Velho e Perfil de Euclydes e Outros Perfís. A Editora José Olympio publica a 25ª edição brasileira de Casa-grande & senzala. O Círculo do Livro publica nova edição de Dona Sinhá e o filho padre. A Editora Massangana publica Pernambucanidade consagrada (discursos de Gilberto Freyre e Waldemar Lopes na Academia Pernambucana de Letras. Ciclo de conferências promovido pela Fundação Joaquim Nabuco em memória de Gilberto Freyre, tendo como conferencistas Julián Marías, Adriano Moreira, Maria do Carmo Tavares de Miranda e José Antônio Gonsalves de Mello (convidado, deixou de vir, por doença, o antropólogo Jean Duvignaud). Ciclo de conferências promovido em Maceió pelo Governo do Estado de Alagoas, a cargo de Maria do Carmo Tavares de Miranda, Odilon Ribeiro Coutinho e José Antônio Gonsalves de Mello. Homenagem do Conselho Latino-Americano de Ciências Sociais, na abertura de sua XIV Assembléia Geral, realizada no Recife, de 16 a 21 de novembro.

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